O maluco de Maringá
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de novembro de 1997
Celina Alonso Az 
Marcos Negrini
Edgar Osterroht, onde era a rodoviária antiga (foto inferior): Estou com vontade de sair pintando Maringá novamente
Num tempo em que as fotos eram só em preto-e-branco o arquiteto alemão Edgar W. Osterroht realizou uma proeza. Se hoje o maringaense pode ver, em todas as cores, como foi o início de sua cidade nos anos 50, é graças aos seus quadros. Suas impressões sobre os tempos pioneiros de Maringá, as ruas lamacentas, a terra roxa e os costumes da época foram registrados pelo pintor. Seus trabalhos, tão importantes para a memória de Maringá, estão na exposição Maringá 50 Anos, que permanece até o próximo dia 30, no Auditório Hélio Moreira, no Paço Municipal.
Edgar Osterroht deixou sua cidade natal, Tilsit, na Alemanha Oriental para trabalhar com o pai, também arquiteto, na construção de Maringá. De uma família cheia de artistas, sentia muita falta da vida cultural que deixou para trás. A cidade no começo parecia igual as de faroeste americano. Só havia homens e umas poucas mulheres. Para me distrair e não sair bebendo como a maioria fazia nos fins de semana eu saia pintando pelas ruas- conta Osterroht que hoje continua trabalhando como arquiteto.
Como a maioria dos trabalhadores pioneiros nunca tinha visto um quadro, exceto os religiosos, a presença do pintor nas ruas intrigava muito. Esse cara é meio maluco. Ele pinta essa porcaria de casas no Maringá Velho, todas sujas de barro vermelho, tortas e feias. Esse alemão não tá bem da cabeça, diziam os trabalhadores pioneiros que nunca tinham visto alguém um cara pintando, lembra Edgar que se apaixonou pelas cores da terra de Maringá, tão diferentes da européia.
Caipiras - Muitos destes quadros foram para o baú de sua mãe e só foram descobertos, no ano passado, graças a um amigo que soube que a Prefeitura preparava uma exposição sobre a memória da cidade. Outra coisa que atraiu a atenção do pintor foram os caipiras da época, de quem tem muitas caricaturas guardadas.Gostava de desenhar os caipiras porque a conversa era tão boba e tão engraçada que me diverti muito conhecendo o homem simples do Brasil que passei a compreender- diz o Osterroht
Na exposição pode ser encontrado o livro Homenagem ao Cinquentenário de Maringá - a década de 50 a 60, de Edgar Osterroht com fotos de seus trabalhos. Satisfeito com o cunho pedagógico de seus quadros que estão sendo vistos por centenas de estudantes da região, Osterroht que quase nem pintava mais, está pensando em registrar a Maringá moderna, nos mesmos locais onde pintou a de antigamente. Hoje Maringá é uma metrópole onde tem de tudo, e estou com vontade de sair pintando novamente. Será que vão me chamar de maluco outra vez?- indaga


