O grupo de teatro Boca de Baco, de Londrina, reestréia hoje a peça ‘‘O Abajur Lilás’’, de Plínio Marcos. A nova temporada começa em grande estilo, inclusive com a presença do dramaturgo, que deverá assistir hoje, pela primeira vez, à montagem feita pelo grupo. A agenda do escritor na cidade começou ontem, com a palestra ‘‘As necessidades culturais de um povo’’, no Núcleo I.
Aos 62 anos, Plínio Marcos mantém o estilo irreverente que marcou sua carreira. Apesar de toda a perseguição política vivida nos anos negros da ditadura, ele acredita que este é o pior momento político vivido em toda a história do País, e que o único caminho possível é o socialismo.
Ex-palhaço, ex-jogador de futebol, ex-cronista esportivo da revista ‘‘Placar’’, ex-cronista dos jornais ‘‘Folha de São Paulo’’ e ‘‘Última Hora’’ e ex-crítico de cinema, atualmente Plínio Marcos escreve artigos para a revista ‘‘Caros Amigos’’, além de preparar o livro ‘‘A Crônica dos Pequenos Artistas’’, onde conta a história de alguns dos artistas com os quais conviveu nestes 45 anos de carreira. Da convivência com os ciganos nos anos em que viveu no circo, ele aprendeu a ler tarô. Um habilidade que as pessoas podem conferir em Londrina, marcando consultas pelo fone 994-8184.
Quanto à montagem de uma de suas obras pelo ‘‘Boca de Baco’’, o autor diz que considera o grupo corajoso, já que se trata de uma peça maldita, difícil de ser encenada. ‘‘Eu espero que eles estejam fazendo tudo direitinho’’, brinca. E revela que ficou surpreso ao saber que um órgão federal, como a Caixa Econômica, está patrocinando a montagem da peça, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. ‘‘A arte foi completamente dominada pelo poder econômico, e este é um tipo de censura violentíssimo’’, afirma.
Plínio, que estudou só até a 4ª série do primário, escreveu sua primeira peça, ‘‘Barrela’’, em 1958. Depois vieram várias outras, como ‘‘Navalha na Carne’’, ‘‘Dois Perdidos Numa Noite Suja’’ e ‘‘O Abajur Lilás’’, além de romances, contos e novelas. A jornalista Vera Artaxo, atual mulher do dramaturgo, está organizando todo o seu trabalho, que deverá ser publicado em três volumes, com patrocínio da Funarte. As obras de Plínio Marcos estarão divididas em temas como cadeia, circo, prostituição e religiosidade.
A temporada do Boca de Baco tem o apoio da Folha de Londrina/Folha do Paraná.Paulo WolfgangPlínio Marcos: ‘‘A arte foi completamente dominada pelo poder econômico, e este é um tipo de censura violentíssimo’’Silvana Leão

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