O MAL DE BEM COM A VIDA
ESTRÉIA O MAL DE BEM COM A VIDA O autor de Crimes Delicados, que estréia hoje no FTC, mostra como a violência instalou-se no cotidiano DivulgaçãoPaulo Goulart, Nicete Bruno e Bárbara Bruno: elenco familiar mostra a banalização do mal em Crimes Delicados Elisa Marilia Carneiro De Curitiba O que era moda no negro período da repressão, hoje é costume. A peça Crimes Delicados, que estréia hoje, no 9º Festival de Teatro de Curitiba, no Guairinha, trata, de forma cômica e dramática, a banalização do mal. Esta peça foi escrita em 1973, no auge da ditadura Médici, mas é extremamente atual, lamenta o autor José Antônio de Souza. O consentimento que a classe média dá aos crimes de morte e aos outros crimes secundários - roubo, mentira, calúnia, corrupção, sonegação, afronta, patrimônio - desde que seja com o vizinho, não com o próprio filho, é a colheita do plantio da lavoura de sangue, adverte o autor. Na verdade, o que José Antônio de Souza pretendia com este texto era mostrar o absurdo de uma situação de perseguição aos comunistas e subversivos. Tudo que cheirasse à esquerda, desde livros de capas vermelhas, era uma ameaça. Mas, o que eu achava que iria passar, está escancarado. O brasileiro vivia sob ameaça, mas era cordial. O mal parece que entrou na nossa índole. Hoje, Crimes Delicados é uma peça de costumes - diz. Mas teatro é ficção. No palco, o jogo é o de rir para não chorar ou, o de rir de nós mesmos. A intenção é fazer acordar. Ainda dá tempo. Não é preciso tanto sofrimento. Isso não é normal. Está acontecendo com você. Não deixe que os seus princípios se transformem, alerta dizendo-se otimista. O povo sempre resiste. Vai resistir novamente, como ao Império Romano, ao império brasileiro, ao neoliberalismo. O diretor da peça é Antônio Abujamra. O elenco é familiar: Nicete Bruno, Bárbara Bruno e Paulo Goulart. Abujamra já dirigiu a mesma peça em 1977, com Cacilda Lanuza, Rolando Boldrin e Laertes Morrone, no Teatro Augusta, em São Paulo. No dia em que fui assisti-los, estava saindo do teatro, quando ouvi uma pessoa comentar: eu, se pego esse autor, mato. Então, a peça refletia exatamente o que as pessoas estavam fazendo. Toquei a fera.





