Pedro da Silva Nava nasceu em Juiz de Fora (MG) no dia 05 de junho de 1903. Antes de formar-se em Medicina pela Universidade de Minas Gerais, em 1927, já fazia parte de grupos interessados pela literatura, como o ''Estrela'' e ''A Revista'' (1923), publicação modernista que contava com Carlos Drummond de Andrade, Martins de Almeida, João Alphonsus e Gregoriano Canedo.
Como escritor, tornou-se o maior memorialista da literatura brasileira. Sua obra mais conhecida é ''Baú de Ossos'', publicada em 1972, seguida de ''Balão Cativo'', ''Chão de Ferro'', ''Beira-Mar'',''Galo-das-Trevas'' e ''O Círio Perfeito''. Este último ganhou o prêmio Livro do Ano, em 1984, concedido pelo Museu de Literatura da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
Nas suas narrativas a Belo Horizonte de seus anos vinte e o Rio antigo passeiam com uma força poética e uma profundidade observacional que muitas vezes se transformam em pura poesia, levando o leitor a um mundo mágico. No dizer de Carlos Drummond de Andrade: ''...possuía essa capacidade meio demoníaca, meio angélica, de transformar em palavras o mundo feito de acontecimentos''.
Contemporâneo de Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes, Pablo Neruda, Oswald e Mário de Andrade, Nava integrava o grupo mineiro que lançou ''A Revista'', em 1924, publicação que daria início ao movimento modernista no estado de Minas Gerais.
Pedro Nava foi o primeiro médico reumatologista brasileiro. Ele trouxe a especialidade da França em meados do século passado. O vocabulário médico na escrita do autor constituiu a marca de seu estilo. A linguagem médica era usada com possibilidade de decodificação, sem entraves de entendimento. Outra característica de Nava era alegria, que contagiava. Seus amigos diziam que ele possuía um riso epidêmico.
O autor suicidou-se na cidade do Rio de Janeiro (RJ), no dia 13 de maio de 2004, por razões desconhecidas, numa praça do bairro da Glória, após ter atendido, em seu apartamento, a um misterioso telefonema. (K.A.)

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