O escritor Antônio Torres não esquece a primeira vez em que foi ao circo. Em 1954, o então estudante de Alagoinhas, interior da Bahia, assistiu às peripécias da trupe do Circo Nerino. Boquiaberto, o jovem de 14 anos não desgrudava os olhos do trapézio. Naquele instante, sua única reação era rezar baixinho para que a moça, de pernas generosamente expostas, não caísse. ‘‘Passei noites em claro. Só pensava em largar tudo e seguir viagem com o circo’’, confessa.
Mais de 40 anos depois, Antônio Torres lança ‘‘O Circo no Brasil’’, o quinto volume da série ‘‘História Visual’’. Editado pela Funarte, o livro conta a história de palhaços, mágicos e trapezistas que despertaram em meninos do Oiapoque ao Chuí sentimentos parecidos aos do autor de ‘‘Essa Terra’’ e ‘‘O Cachorro e o Lobo’’. ‘‘Nasci num lugar tão pequeno que nem circo chegava. Como todo garoto do interior, o circo foi o primeiro espetáculo que vi’’, recorda.
Sob o pretexto de escrever ‘‘O Circo no Brasil’’, Antônio Torres levou a família para assistir ao Circo Tihany. Ele ficou tão impressionado com as filas que se formavam ao redor do cercado de lona que mudou de idéia quanto à suposta falência do maior espetáculo da Terra. ‘‘O circo já faz parte do imaginário popular. Num país mambembe como o nosso, ele é a cara do Brasil’’, acredita.




Como surgiu a idéia de recuperar a história da arte circense no Brasil?Luiza Dantas/Carta Z NotíciasAntônio Torres: ‘‘Nasci num lugar tão pequeno que nem circo chegava’’André Bernardo
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