Arquivo FolhaNova York acaba de ganhar um novo apelido neste verão: a Hollywood do Hudson. Tudo por causa das dezenas de filmes que estão sendo rodados em locações externas pelas ruas de Manhattan e do Brooklyn. A cidade já é o segundo centro produtor da indústria do cinema, servindo de cenário para filmes de nomes que vão de Brad Pitt a Anthony Hopkins.
Entre as principais produções que estão sendo rodadas na cidade, há ‘‘Deep Impact’’, com Téa Leoni, Morgan Freeman e Robert Duvall, ‘‘For Richer and for Poorer’’, com Tim Allen e Kirsty Alley, e ‘‘Chinese Coffee’’ , com Al Pacino. No Brooklyn não é difícil encontrar também com Denzel Washington, filmando ‘‘He Got Game’’, de Spike Lee, e o trio de ‘‘Primary Colors’’, John Travolta, Emma Thompson e Billy Bob Thornton. O bairro vai ter em breve a presença de Tommy Lee Jones e Wesley Snipes no set de ‘‘U.S. Marshals’’.
Pelas ruas de East Village estão Danny DeVito, Holly Hunter e Queen Latifah, trabalhando em ‘‘The Kiss’’, Jimmy Smith e John Turturro em ‘‘Lesser Prophets’’, e Mira Sorvino em ‘‘Too Tired to Die’’. Enquanto isso, em Carnarsie, o ex-boxeador Gerry Cooney atua em ‘‘Glorice’’. Robert Redford aproveita várias regiões de Manhattan para rodar ‘‘The Horse Whisperer’’, enquanto Jack Nicholson conclui takes adicionais de ‘‘Old Friends’’.
Boicote Mas não é só a beleza da cidade que atrai produtores para a Costa Leste dos Estados Unidos. Há alguns anos os produtores de Hollywood fizeram um boicote às filmagens em Nova York por considerarem os profissionais da cidade muito exigentes e os preços muitos altos. O sindicato que congrega eletricistas, câmeras e iluminadores não aceitou as pressões da indústria e, com isso, quase nenhum grande estúdio queria produzir filmes em Nova York.
Com isso, muitas histórias passadas na cidade acabaram sendo filmadas em outras locações, como Toronto, no Canadá, e Pittsburg, na Pensilvânia. ‘‘Frankie & Johnny in the Claire of the Moon’’ e ‘‘The Babe Ruth Story’’ são alguns dos filmes ‘‘nova-iorquinos’’ feitos em outras cidades.
Há poucos anos, um acordo com o sindicato foi feito e os estúdios passaram a voltar a Nova York, o que neste verão resultou quase em um congestionamento. Hoje a cidade já conta com os melhores profissionais da área à disposição em diversos campos. De acordo com a prefeitura, há 30 filmes sendo feitos no momento e eles podem autorizar muitos outros em breve. A política do prefeito Rudolph Giuliani é incentivar a produção no local porque ele acha que é bom para Nova York aparecer nos cinemas do mundo inteiro.
Quem não vê graça é a população da cidade, que tem que se incomodar com os transtornos causados pelas filmagens nas ruas. Congestionamentos de trânsito, estações de metrô fechadas, lixo pelas calçadas, proibição de acesso a determinados lugares e iluminação entrando pelas janelas dos apartamentos são alguns dos inconvenientes que os filmes trazem para os bairros onde são rodados.
Incômodo No feriado de 4 de julho, por exemplo, quando se comemora a Independência dos Estados Unidos e muitos turistas aproveitam para visitar os pontos turísticos da cidade, várias ruas da região de Wall Street ficaram interditadas por longos períodos por conta de cenas com um carro em alta velocidade. No mês passado, a região da Union Square teve seu trânsito impedido por três noites em seguida para as filmagens de ‘‘Godzilla’’.
Muitas vezes as equipes tentam avisar com antecedência os moradores, oferecendo panos pretos para as janelas (os holofotes em guindastes tiram o sono de muita gente) e outras compensações. O que antes era visto com boa vontade e despertava a curiosidade dos locais, hoje é motivo de reclamações na prefeitura.
Mas dificilmente a pressão das associações de moradores vai conseguir espantar as produções de Nova York. O número recorde de filmes feitos na cidade no ano passado, 201, além de gerar empregos e movimentação da indústria local, trouxe US$ 2,2 bilhões para os cofres de empresas nova-iorquinas. Este ano, a expectativa é que esse número seja muito maior. O povo vai ter que se conformar em viver dentro do maior cenário do mundo.

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