O alaudista Hopkinson Smith, americano nascido em Nova York em 1946, mesmo sendo uma pessoa amável, não gosta que o chamem de ‘‘o maior alaudista do mundo’’. Mas é. Pela primeira vez ele virá ao Brasil, para tocar em Curitiba e Rio de Janeiro.
A turnê exclusiva aos curitibanos e cariocas será estendida com um workshop que o artista dará aos músicos especializados em música antiga, na capital, e uma apresentação especial aos professores em Faxinal do Céu.
O recital de Hopkinson Smith em Curitiba é hoje, no Teatro da Federação Espírita do Paraná. Será o primeiro em solo brasileiro, com obras de compositores barrocos alemães e espanhóis: Sylvius Leopold Weiss, Johan Sebastian Bach, Gaspar Sanz, Francisco Guerau e Antonio de Santa Cruz.
Alaúde de BachSmith começou a estudar música aos 12 anos. Até os 18 empenhou-se com rigor no violão. Estava com 20 anos quando conheceu o alaúde. Em 1972 graduou-se em música em Harvard e depois estudou diversos instrumentos de corda pulsada com Emilio Pujol, na Catalunha (Espanha), e com Eugen Dombois, na Suíça.
O alaudista tem em sua discografia mais de 90 lançamentos, apenas como solista. Participando de grupos de câmara está em mais de 40 gravações, sendo alguns destes discos divididos com o violista Jordi Savall. Tem 19 CDs solo, onde, além do alaúde, toca vihuela, violão barroco e teorba.
Entre os prêmios conquistados ao longo da carreira contam-se seis ‘‘Diapson D’Or’’ e um ‘‘Grand Prix du Disque’’, o mais importante prêmio do disco na Europa, pelo álbum duplo sobre as obras de alaúde de Bach. O músico vive em Basel, na Suíça, onde é professor da Schola Cantorum Basiliensis..
Lei de IncentivoÁlvaro Colaço, da Agendas de Produção, empresa que está produzindo o espetáculo, reclamou da Lei de Incentivo à Cultura pela demora na definição daquilo que irá prestigiar. ‘‘Este e mais três outros projetos foram apresentados em setembro do ano passado à Lei de Incentivo à Cultura, para aprovação em fevereiro deste ano. Até agora não houve julgamento’’.
Como as negociações com o alaudista vinham desde março de 1996, Álvaro e o sócio Paulo Pena resolveram correr ‘‘todos os riscos possíveis’’, até mesmo porque ‘‘esta era a única data que Smith tinha disponível neste ano’’.
Alaúde de 13 cordasHopkins Smith virá ao Brasil com dois instrumentos: um alaúde de 13 cordas e um violão barroco de cinco cordas. São cópias do século 18, feitos por um luthie norte-americano de Rindge, New Hampshire. O recital começa com alaúde. A segunda parte será com o violão de cinco cordas.
Normalmente o músico faz entre 25 a 50 apresentações ao ano. Além do Brasil, estará nos próximos meses na Áustria, Suíça, Espanha, Portugal, França, Alemanha, Itália, Venezuela ‘‘e, talvez, Argentina e México’’, segundo afirmou, às vésperas de uma série de concertos nos Estados Unidos.
O alaudista comentou sobre sua ‘‘grande expectativa’’ em se apresentar no Brasil. ‘‘A mim me interessa sobretudo o público brasileiro, por sua sensibilidade e naturalidade. É um país de enorme talento musical’’. Quanto ao alentado título de ‘‘melhor do mundo’’, ignora britanicamente.
‘‘Para mim, o prazer maior é passar tanto tempo com a música e com o mundo sonoro tão completo como é o do alaúde. O que as pessoas dizem me interessa muito menos’’, responde solene.
q Hopkinson Smith - hoje, no Teatro da Federação Espírita do Paraná (Alameda Cabral, 300), às 21 horas. No programa obras de compositores barrocos alemães e espanhóis. Ingressos: R$ 15,00.

mockup