Os críticos podem até questionar o fato dele estar há anos sem lançar trabalho novo. Mas não podem deixar de reconhecer que Almir Sater tem talento. E presença cênica. E que consegue mexer com a emoção das pessoas. Um Teatro Marista literalmente abarrotado, com pessoas sentadas até no corredor é testemunha disso. Nos dois shows que o compositor, cantor e violeiro Sater fez em Londrina, no último final de semana, o que se viu foi um grande artista em uma atuação brilhante. Gripado e ''funcionando em mono'', como ele mesmo reconheceu, o artista tem a mágica de deixar a platéia hipnotizada, 'viajando' nas canções conhecidas e nas cordas da viola. Imagine se estivesse em perfeito estado, então. A vinda do violeiro mais incensado do Brasil teve o apoio da Folha de Londrina.
Almir Sater e Londrina são uma história antiga. Quanto mais ele se apresenta por aqui, mais seus shows lotam, mais fãs cativa. Sem pretensões de oferecer um megaespetáculo, o violeiro faz mais o gênero ''um banquinho e violão'' (no caso, cinco tipos de violões e violas diferentes, com afinações variadas para cada estilo de música do blues à catira) e, com isso, se aproxima mais de seu público.
Só que, dessa vez, a aproximação foi ainda maior. Como se estivesse em uma roda de amigos, Sater deixou o público ''fazer'' o repertório do show, com pedidos das músicas prediletas. Depois da introdução com ''Um violeiro toca'', Sater abriu o espaço para pedidos e o que se viu foi um festival de belíssimas melodias e canções que quase não são mais lembradas em shows.
Da clássica ''Rio de Lágrimas'', de Tião Carreiro, passando pelo instrumental ''Luzeiro'' um precioso exemplo da viola caipira tocada com maestria ao blues ''O vento e o tempo'', o que se viu e ouviu foi um maravilhoso revival de músicas que há muito tempo estão fora da mídia. Aliás, outras como ''Kikio'', ''É necessário'' e ''Trem de Lata'', como o próprio violeiro disse, não estavam mais nem em seu próprio repertório. Mas a platéia perdoou com boa vontade até quando o violeiro esqueceu a letra de ''Ana Raio e Zé Trovão'', que se dispôs a tentar tocar para atender um pedido.
Lógico que algumas boas coisas ficaram de fora. Senão, o show teria durado bem mais que as quase duas horas e meia. Mas, de modo geral, o público saiu do teatro com a alma lavada, encantado com a performance, e sem sentir o tempo passar. E sem saber, também, que aqui, em Londrina, o violeiro testou o seu novo show. Como disse, depois da apresentação, essa foi a primeira vez que ele e sua banda se reuniram este ano, sem ensaio nem formalismo. ''Achei que seria bom deixar Londrina escolher o que queria ouvir, assim podemos ter uma idéia para um show diferente daquele que vínhamos apresentando. Daqui algum tempo, esse vai estar redondinho'', garantiu.
Pode ser que o violeiro volte a cidade ainda esse ano, com o novo show. Mas, por favor, que se agendem três dias de apresentações para não deixar ninguém de fora como desta vez. Ah, para os críticos : ''Chalana'' encerrou a noite.

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