O luxo e a excentricidade de Lacroix
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sexta-feira, 30 de maio de 1997
Da Redação e agências 
France PresseLacroix ao lado de um de seus modelos de alta costura: A moda me levou a não fazer psicanáliseO estilista francês Christian Lacroix, 46 anos, esteve no Brasil semana passada a convite da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado) para uma série de eventos comemorativos aos 50 anos da entidade. Além de apresentar desfile reunindo suas quatro linhas - alta-costura do atual verão europeu, prêt-a-porter e coleções de inverno das grifes mais acessíveis, Bazar e Jeans - o estilista inaugurou a exposição Da Inspiração à Finalização de uma Roupa de Alta-Costura, que tem como ponto de partida o som ambiente do ateliê de Lacroix em Paris. A exposição fica aberta ao público até o dia 8 de junho, no Museu da Faap (Rua Alagoas, 963, Pacaembu, São Paulo).
Tudo partiu do barulho da construção dos vestidos. O barulho dos tecidos, da máquina de costura, do telefone, do rádio, da rua, disse a diretora de teatro Bia Lessa, responsável pela concepção e montagem da exposição. Esse material gravado no ateliê do estilista é a trilha sonora do primeiro ambiente, reservado à Inspiração. No chão, Bia Lessa usa tapetes de serragem colorida, reproduzindo fragmentos dos tecidos da coleção. No espaço reservado à Criação, a diretora instalou 120 colunas, de forma que o espectador tenha que procurar os vestidos. Nas roupas, foram colocadas pequenas caixas de som, com uma música diferente para cada modelo, de Cartola A Strauss, incluindo Je Taime, cantada pela atriz Brigitte Bardot, que segundo Bia, revela o universo feminino de uma roupa de alta-costura.
France PresseModelo de alta-costura da coleção primavera-verão do estilista, em desfile semana passada em São Paulo
Lacroix iniciou a carreira de estilista em 1982 na maison Patou, alguns anos depois de concluir seus estudos na Sorbonne. Antes disso, desenvolvia trabalhos voltados para costumes de museus e figurinos de teatro. Em 87, estreou em carreira solo, injetando fantasia e excentricidade ao então desgastado mundo da alta costura. O estilo barroco e teatralizado sempre foi sua marca registrada. Ainda colabora frequentemente com figurinos para teatro, balé e ópera. Hoje, a maison Christian Lacroix faz parte do poderoso grupo de luxo LVMH, que controla também as marcas Dior, Givenchy e Louis Vuitton.
Confira ao lado algumas opiniões de Lacroix sobre criação, economia, marketing e moda no terceiro milênio, proferidas durante a palestra que reuniu estudantes de moda, estilistas, jornalistas e empresários na capital paulista.


