Arquivo FolhaRonaldinho:
biografia
escrita em forma
de romance mostra
a vida daquele
que é considerado
sucessor de Pelé
Biografia do craque teve lançamento proibido pelos pais de Ronaldinho. Editora aguarda nova decisão da Justiça
Da Redação


O jogador Ronaldinho só não acabou no Flamengo, no início da carreira, porque foi assaltado por dois pivetes no dia em que foi fazer um teste. Além de levarem os trocados que carregava no bolso, os ladrões também o desencorajaram a tomar a condução para treinar. O atacante começou jogando no gol, mas acabou dissuadido da idéia por um técnico de várzea. Com a sorte sempre a seu lado, foi quase por acaso que Ronaldinho se transformou na estrela brilhante do futebol mundial: foi descoberto por um olheiro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que andava pelos subúrbios à caça de talentos para a Seleção Brasileira de Juniores. Ele se entusiasmou com a desenvoltura com que aquele menino dentuço e desengonçado lidava com a bola.
Essas e outras histórias da vida de Ronaldo Luís Nazário de Lima, o Ronaldinho, estão no livro ‘‘Carrasco de Goleiros’’, escrito pelos jornalistas Luiz Carlos Ramos e Brás Henrique e pelo escritor Luiz Puntel.
Recheado de fotografias sobre a trajetória do jogador da Seleção Brasileira e da Internazionale de Milão, e com prefácio de Ignácio de Loyola Brandão, o livro (128 páginas, Editora Palavra Mágica, R$ 16,00) seria lançado este mês, mas foi proibido pela Justiça de São Paulo devido a uma liminar obtida pelos pais do jogador e dois procuradores.
A Justiça também aprendeu os exemplares que seriam comercializados na Livraria da Vila, em São Paulo, e em Ribeirão Preto, onde fica a sede da editora. ‘‘Nossos advogados estão tentando fazer o juiz reconsiderar a decisão. Eles estão tentando obter uma liminar que suspenda a anterior. Por outro lado, muita gente tem nos apoiado, e isso é bastante positivo’’, explica Galeno Amorim, editor do livro.
Da infância vivida em Bento Ribeiro, periferia do Rio de Janeiro, até os dias atuais de sucesso e glória no futebol italiano, onde foi apelidado de Il Fenomeno, a biografia de Ronaldinho, escrita em forma de romance, mostra o início da carreira, os sonhos e os dramas daquele que vem sendo apontado por muitos como o legítimo sucessor de Pelé. Simpático, bom caráter e politicamente correto, Ronaldinho é o típico vencedor, daqueles predestinados a colecionar vitórias dentro e fora dos gramados.
Ídolo de crianças e adolescentes, alegre e brincalhão com os amigos, porém tímido com as mulheres e sempre humilde na relação com os fãs, o jogador vive um autêntico conto de fadas moderno, na condição de um dos novos milionários do futebol mundial. Consegue manter o ar jovial e maroto junto à simplicidade dos tempos do subúrbio carioca. Por isso, por onde passa deixa amigos. E gols. Principalmente gols, muitos gols!
‘‘Carrasco de Goleiros’’ (Um fenômeno chamado Ronaldinho) é o resultado de mais de um ano de pesquisas e entrevistas com mais de 50 amigos, parentes, jogadores, técnicos e dirigentes de futebol, com quem o atleta conviveu no Brasil, na Holanda, na Espanha e na Itália.
Os autores acompanham a meteórica carreira de Ronaldinho de perto. Veterano na cobertura de Copas e Olimpíadas, Luiz Carlos Ramos, trabalhou a maior parte dos seus 33 anos de profissão na editoria de Esportes e é o redator da primeira página do jornal ‘‘O Estado de São Paulo’’. Brás Henrique é repórter do ‘‘Jornal da Tarde’’, e Luiz Puntel figura entre os mais bem-sucedidos autores de livros para jovens do país, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos.
Para Ignácio de Loyola Brandão, o maior mérito dos autores foi ter conseguido elaborar um texto fluente e literário, que mantém aceso o interesse e o suspense do leitor, seja ele aficionado ou não por futebol. ‘‘A importância do livro não está na figura do Ronaldinho atual, que já é bastante conhecida, mas na maneira de mostrar a construção de um craque, a elaboração de um ídolo popular e de como o destino conduziu sua vida’’, disse Loyola, que também aprova a técnica da narrativa, elaborada, segundo ele, do ponto de vista do biografado, com a sua terminologia, como se ele próprio contasse a história.
O livro recebeu patrocínio cultural da Volkswagen e foi enquadrado na Lei de Incentivo à Cultura, pelo Ministério da Cultura. Parte dos livros da primeira edição está destinada às bibliotecas públicas de São Paulo e Rio.

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