O livro de papel nunca morrerá
Convidado do Sesc para a palestra sobre o ''Livro Digital'', o gaúcho Antônio Xerxenesky é ficcionista e autor do livro ''Areia nos Dentes''. Durante sua trajetória como escritor, publicou textos no Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil, além de ser editor da Não Editora e organizador da revista online de crítica literária ''Cadernos de Não-Ficção''. Em entrevista exclusiva para a FOLHA, Xerxenesky dá a sua opinião sobre o Kindle, os livros digitais e o futuro do bom e velho livro de papel.
Em seu blog, você faz uma apologia ao Kindle, e considera o iPad como não sendo um leitor ''sério''. Por que o leitor da Amazon virou o seu preferido?
A questão toda gira em torno da tecnologia e-ink. O Kindle oferece o texto não em uma ''tela'', mas em algo muito similar ao papel. Ler no Kindle é como ler sempre um livro muito bem diagramado, com excelente impressão. O iPad é bom para leituras mais breves, artigos de jornal, quadrinhos. Seu brilho torna a leitura de um romance longo tão desagradável como seria ler na tela do computador.
No último mês, a Amazon anunciou que as suas vendas de livros digitais já são duas vezes maiores do que de livros impressos. Você já considera o livro impresso como sendo algo ultrapassado? O papel está mesmo com os dias contados?
Não, o livro de papel nunca morrerá. Há uma questão muito forte do ''fetiche'' do papel. Muitas pessoas nunca trocarão seu bom e velho livro de brochura por um aparato digital. Eu me considerava uma dessas pessoas, também, até pegar um Kindle na mão. Mas cada um, cada um. Se o disco de vinil sobreviveu, não há motivos para o livro de papel morrer. Um suporte não substitui o outro.
Você acredita que os leitores digitais possam vir a ser uma ferramenta útil para a democratização do conhecimento e da literatura? É um gadget revolucionário?
Acho que sim, mas em um futuro ainda distante. Os leitores digitais ainda andam a passo de tartaruga no Brasil: três modelos disputam o mercado e todos custam caro. Será necessário esperar a banalização da tecnologia e-ink para que se popularizem. Além disso, há uma disputa de formatos. Livros comprados na Amazon não rodam em leitores brasileiros, por exemplo, e vice-versa. (R.C.)





