Qual a contribuição da filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975) para a história do pensamento? Sua obra continua influente? Suas ideias continuam atuais?
Um elenco de 37 estudiosos responderá a essas e outras indagações de amanhã a sexta-feira durante a realização simultânea do VII Encontro Hannah Arendt e do IV Ciclo Hannah Arendt no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O evento traz o tema "Por amor ao mundo" e é promovido pelo Departamento de Filosofia da universidade. As conferências ocorrerão nos períodos da manhã, tarde e noite no Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa). Entre os convidados estão Mariana de Mattos Rubiano (USP-SP), Maria Francisca Pinheiro Coelho (Universidade de Brasília-DF), Rodrigo Ribeiro Alves Neto (Unirio-RJ), Beatriz Porcel (Universidade Nacional de Rosário – Argentina); e Alejandro Oropeza González (Universidade Simon Bolívar – Venezuela). O também venezuelano Carlos Kohn Wacher cancelou sua participação por problemas de saúde.
O "Ciclo" acontece anualmente desde 2010 na UEL, organizado pelo grupo de Mestrado em Filosofia. Já o "Encontro" chega pela primeira vez a Londrina após seis edições nacionais itinerantes sediadas em diferentes universidades do país. Em 2015, ele ganha projeção internacional ao desembarcar na cidade de Rosário, na Argentina.
Os dois eventos estão inseridos nas comemorações do "Ano Alemanha + Brasil 2013-1014" cujo tema é "Quando as ideias se encontram". A coordenadora das atividades ligadas às conferências sobre Arendt em Londrina, Maria Cristiana Muller, salienta que as reflexões da autora de "As Origens do Totalitarismo" e "Eichmann em Jerusalém" permanecem vivas nos dias de hoje.
"O título do encontro é um conceito dela, no sentido da responsabilidade que cada ser humano tem pela construção e preservação do mundo", diz. "Será que amamos o mundo o suficiente? Qual o sentido da política, qual o significado do espaço público como espaço privilegiado para melhorar o mundo? Essa é a grande questão que ela nos deixou e que continua atual pela crítica que faz ao mundo moderno e à sociedade massificada na qual as pessoas foram reduzidas à vida privada e à condição de trabalhador/consumidor importando-se pouco com a política e o debate público."
Arendt não foi uma ativista de vestir a camisa de causas, mas provocou polêmicas ardorosas com seus escritos. Nascida numa família de judeus abastados e cultos, desenvolveu seu potencial intelectual numa Alemanha onde fervilhavam as mais importantes correntes filosóficas e estéticas do século 20 durante a República de Weimar.
Estudante de Filosofia, teve como mestres Karl Jaspers e Heidegger (de quem foi amante). Com a ascensão do nazismo, fugiu para a França em 1933 e posteriormente para Nova York (EUA) onde viveu de 1944 até seus últimos dias de vida. Em passagem pelo Brasil na década de 80, o renomado filósofo alemão Jurgen Habermas declarou que os livros da pensadora o fizeram deixar de lado o preconceito que vergonhosamente vigorava em seu meio acadêmico – de que as mulheres não eram capazes de produzir filosofia de primeira linha.

Serviço:
Ciclo Hannah Arendt
Quando - De amanhã a sexta-feira
Onde - Campus da UEL – Auditório do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (Cesa)
Taxa de participação - R$ 30 (professores e estudantes) e R$ 50 (comunidade em geral)
Informações - (43) 3371-5531 e www.uel.br/eventos/cicloarendt

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