Azulejos portugueses decoram a fachada de casa da cidadeOs grossos argolões presos ao porto são a prova silenciosa de que o Brasil começou por ali. Em terra firme, na praça da igreja de uma torre só, os canhões silenciosos descansam ao lado do marco da fundação de Cananéia: 1537, uma das cidades mais antigas do Brasil.
Alguns anos antes, em 1502, o antigo povoado de São João Batista de Cananéia já tinha visitado pelo navegador Américo Vespúcio, que aportou naquela vila de tamoios, onde permanecem alguns aventureiros. Em meados de 1531, Martin Afonso de Souza esteve na região e assinalou-a com as armas da Coroa de Portugal e os marcos de pedra, monumentos que marcavam as terras descobertas.
As ruelas, casas coloniais, sobrados e igrejas sugerem lembranças de quase 500 anos de Descobrimento do Brasil. Cananéia não se destacou pela produção de ouro, como outras cidades do Brasil Colônia. O potencial explorado desde o início foi a pesca, que começou pela baleia, cujo óleo servia para iluminação. A abundância de ostras do mar de Cananéia proporcionou a construção de sambaquis pelas antigas civilizações que habitavam a região antes da chegada dos portugueses.
Bela baía Os sambaquis, nome dado aos amontoados de conchas, ossos e resíduos diversos pelos homens primitivos, apresentam grande interesse arqueológico porque no meio desse material geralmente se encontram restos de utensílios domésticos e instrumentos de pedra, chifre ou osso, capazes de fornecer indicações preciosas das condições de vida do homem pré-histórico brasileiro.
Espremida entre os canais do mar de Cubatão e o canal de Cananéia, a cidade encontra-se na parte oriental da ilha do mesmo nome, onde forma uma bela baía. Sem ciclos importantes de riqueza, a arquitetura mostra-se simples e rústica, mas nem por isso menos bonita: calçadas estreitas, casarões de bloco de pedra e janelas de madeira que dão para a rua estão presentes em Cananéia. Mas, pesca, praias e ilhas como a do Cardoso e Comprida são atrativos naturais cheios de charme.
Nessa região, a natureza se mantém quase que intacta nas Áreas de Proteção Ambiental, preservadas pela Universidade de São Paulo, ONGs (Organizações Não-Governamentais) nacionais e estrangeiras, que cuidam para que a Cananéia se firme como local privilegiado para o turismo ecológico.

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