Arquivo FolhaLuis César da Silva: 5 mil livros de seu acervo foram doados à Biblioteca Pública de LondrinaEncontrar livros para pegar na Biblioteca Pública Municipal de Londrina é, para mim, uma tarefa difícil. Não porque, como dizem alguns mal informados, já li tudo. De fato, já li quase tudo o que faz parte do acervo daquela Biblioteca dentre os autores e gêneros que aprecio. Afinal, são praticamente tantos anos de sócio da BPM quanto os de vida em Londrina. Gosto sempre de repetir que um dos primeiros locais que visitei, ao chegar à cidade para morar em 1955, foi a Biblioteca, funcionando ainda à época na rua Santa Catarina, ao lado da Prefeitura que funcionava bem no centro. Hoje, são mais de 40 anos de um contato sempre proveitoso, para mim.
Mesmo sem condições para oferecer tudo o que é lançado, a BPM tem garantido, para mim e para milhares de outros, leitura boa e agradável. Para fazê-lo, conta com aquisições próprias, que são difíceis, até porque falta verba, e com doações. Na verdade, são as doações as que mais enriquecem o acervo da Biblioteca, ainda mais nestes tempos complicados em que faltam recursos e em que cultura é um dos itens menos valorizados pelos governantes, em todos os níveis. Sei lá, talvez estejam certos, é preciso primeiro encher a barriga e depois encher a cabeça. É certo que se a cabeça está vazia, o cidadão tem mais dificuldades para conseguir meios para encher a barriga, mas esta é uma questão mais complexa.
O que quero porém destacar são as doações. Em meados de 96, foi anunciada a doação do acervo particular do arquiteto Luis César da Silva à BPM. Eram - pelo que se informou à época - cerca de 5 mil livros de ficção, além de outros, técnicos, que foram doados à Biblioteca da UEL. Desde então, já encontrei nas prateleiras da BPM muitos dos volumes doados pela viúva de Luis César, a jornalista Ana Marta Garcia. E sempre que encontro um, pego e levo. Muito policial, ficção variada, todos excelentemente bem conservados e no estilo dos que aprecio.
E cada vez que o faço, sempre que encontro um daqueles livros e mergulho neles, perpassa um sentimento de gratidão e agradecimento a Luis César, que os comprou e deixou à coletividade, a Ana Marta que confirmou a doação. Por causa disto, o legado de Luis César permanece perene. Enquanto houver a Biblioteca - e eu espero que exista enquanto persistir nossa civilização - ficará lá à disposição este presente imperecível a todas as gerações futuras. Uma janela aberta à cultura, oferecida de graça a todos quantos queiram ler.

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