Pare, sente, pense e responda. Por que ninguém ensina os helicópteros a tirarem mel do sol? Se já estou morto e não sei, a quem devo perguntar as horas? Não será a vida um peixe treinado para ser pássaro? Quando você olha o mar, só você vê o mar ou o mar também vê você? Me diga, a rosa está nua ou tem apenas aquele vestido?
  Essas perguntas foram criadas pelo poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) um bom tempo atrás. Nunca passou pela sua cabeça que elas deviam ser respondidas. Eram apenas poemas em forma de perguntas. E, como todo mundo sabe, poemas são, por natureza, resposta às perguntas mais invisíveis.
  Após a morte de Neruda em 1973, os textos foram encontrados em sua gaveta mais empoeira. Nas mãos do artista gráfico italiano Isidro Ferrer, se transformaram no ‘‘Livro das Perguntas’’ que acaba de chegar às livrarias pela editora Cosac Naify.
  Com um pé na imaginação e outro na percepção, as indagações de Pablo Neruda passeiam por um mundo de significados a serem descobertos. Numa mesma frase é possível encontrar um olhar de criança cruzando com um olhar adulto. E o limite entre um olhar e outro faz parte das questões, da mesma maneira como o branco da pipoca fica escondido dentro do escurinho do milho.
  ‘‘Livro das Perguntas’’ ganhou um punhado de asas com as imagens criadas por Isidro Ferrer. Utilizando colagem, desenhos, esculturas, objetos e fotografia, sua intenção não está em ilustrar os poemas. Sua intenção é criar imagens para serem lidas como são lidos os poemas. E não há nada complicado nisso, há apenas um olhar particular e amplo ao mesmo tempo.
  Pare, sente, pense e responda mais. Por que as árvores escondem o esplendor de suas raízes? Por que é o sol tão mal amigo do caminhante do deserto? Quando canta o azul da água, a que cheira o rumor do céu? De que ri a melancia quando a estão assassinando? Por que os imensos aviões não passeiam com seus filhos? Se acabar o amarelo, como vamos fazer o pão?
  Existem muitas crianças, em várias partes do mundo, procurando responder essas indagações. Na forma de atividade didática em sala de aula, elas se empenham em responder poesia com algum aprendizado poético. Uma maneira de entender por que as folhas se suicidam quando se sentem amarelas. Um modo de saber quantas semanas tem um dia, e quantos anos tem um mês. Ou, quem sabe, um jeito de saber se a fumaça conversa com as nuvens.

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