São Paulo - Ficar fechado em um caixão ou deitado sobre uma cama de pregos. Abusar da bebida e entrar em coma alcoólico em rede nacional. Vale-tudo na vida real retratada pela televisão. Em busca de dinheiro e fama, os participantes de reality shows não titubeiam ao se expor. A fim de garantir audiência, as emissoras levam tudo isso ao ar.
Situações como as citadas acima foram mostradas no ''Big Brother Brasil 11'', da Globo, e no ''Solitários'', do SBT. O primeiro não precisou mais do que três semanas para comprovar as promessas do diretor J.B. de Oliveira de que este seria o ''BBB'' em que tudo pode. Na festa de sábado, Michelly teve de ser atendida por médicos após beber além da conta, e Paula deixou que Cristiano lambesse seu bumbum, Igor seu seio, e Diogo o queixo.
A Globo vem tomando certo cuidado na edição, possivelmente com receio de que o Ministério da Justiça mude a classificação indicativa do programa -procurada, a emissora não retornou. Nem tudo o que os espectadores do pay-per-view veem é exibido na TV aberta, o que não impede que os ''bafos'' protagonizados pelos ''brothers'' cheguem a público. Já são mais de 60 reclamações sobre o programa no site da campanha ''Quem Financia a Baixaria É Contra a Cidadania'', da Câmara dos Deputados.
No ano passado, a emissora chegou a ser notificada pelo Ministério Público Federal, que pediu que o ''BBB 11'' tivesse conteúdo de qualidade, com ''a missão e as responsabilidades para com as crianças e as famílias''.
Com menor repercussão, mas não menos ousada, a segunda temporada de ''Solitários'', do SBT, testa os limites físicos e psicológicos dos participantes, que ficam isolados, sem banho, com a alimentação regulada e enfrentando provas de resistência. ''Os primeiros dias são os piores, porque eles não estão acostumados a ficar presos'', conta o diretor-geral da atração, Denis Salles.
A empresária Fabíola Monarca, 32 anos, desistiu no terceiro episódio do reality. ''O mais difícil para mim foi passar frio. A fome eu aguentava mais.'' O vencedor da primeira edição, o ator Welton Pacheco, 27 anos, também sofreu. ''Tinha provas em que eu sentia uma dor incrível. Ganhei porque fui forte psicologicamente.''

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