O lado escuro da lua
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Na época, tudo era permitido ao rock, inclusive roçar as fronteiras mais ambiciosas da música erudita. Mas quando a banda inglesa Pink Floyd lançou o álbum ''Dark Side of The Moon'', em 1973, ninguém imaginou o que o futuro lhe reservaria.
''Dark Side of the Moon'' conquistou o topo das paradas tornando-se um marco da indústria fonográfica mundial como um dos cinco títulos mais vendidos de todos os tempos, ficando atrás apenas de ''Thriller (de Michael Jackson), ''Saturday Night Fever'' (trilha sonora do filme homônimo) e ''Rumours'' (Fleetwood Mac).
O disco chegou às lojas originalmente em vinil, com desenho de um prisma na capa de fundo preto. Hoje, está na quinta versão remasterizada em CD. Na próxima segunda-feira, comemora 30 anos de lançamento. ''O Lado Escuro da Lua'' foi o oitavo trabalho do grupo, que levou oito meses para gravá-lo nos famosos estúdios Abbey Road, de Londres.
Sob a batuta do engenheiro de som Alan Parsons, o quarteto formado por Roger Waters, David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason expandiu os limites de sua criatividade com a ajuda da parafernália eletrônica disponível à época. Ousando nos arranjos, os músicos incluíram uma máquina registradora antiga para marcar o compasso em ''Money'', um relógio despertador usado como introdução de ''Time'', além de bizarras risadas em ''Eclipse''.
Para abrir e fechar o disco, embutiram o som de batimentos cardíacos. Colocaram ainda vozes ao fundo, pinçadas de cerca de 20 entrevistas que giravam em torno do tema ''loucura''. O canal pago Multishow costuma exibir periodicamente o especial ''Pink Floyd ao vivo em Pompéia'' (disponível também em vídeo e DVD), no qual os músicos aparecem manipulando recursos tecnológicos durante os bastidores da gravação de ''Dark Side of the Moon''.
Além dos Floyd, o trabalho contou com a participação do saxofonista Dick Parry (que fez o solo em ''Us and Them'') e da cantora Clare Tory (responsável pelos vocais soul de ''The Great Gig In The Sky''). Críticos costumam apontar o álbum como o passaporte definitivo da banda para o rock progressivo, deixando as experiências psicodélicas para trás.
Mesmo assim, o espectro do guitarrista Syd Barret (demitido pelos colegas por pirar no LSD após participar dos dois primeiros discos da banda) ainda rondaria o trabalho, particularmente na faixa ''Brain Damage'' cuja letra fala de um ''lunático que está na relva, relembrando as brincadeiras, as fileiras de margaridas e os risos deixados para manter os tolos bem sossegados.''
Roger Waters se esforçaria para espantar o fantasma nos álbuns seguintes. Aqui, ele assina todas as letras revelando unidade poética ao abordar neuroses do homem contemporâneo como a alienação, a ansiedade, o isolamento, a ambição e a insanidade. Ao longo de três décadas, muitas lendas já foram inventadas sobre ''Dark Side of the Moon''. A mais comentada delas foi veiculada na Internet assinalando uma suposta conexão entre o disco e o filme ''O Mágico de Oz'', célebre musical estrelado por Judy Garland em 1939.
Segundo a tese do norte-americano Alexander Harm, quem sincronizar o filme com o disco terá a impressão de que foram feitos um para o outro. Para comprovar a ''descoberta'', ele recomenda que o disco seja acionado após o terceiro rugido do leão da Metro, nos créditos de ''O Mágico de Oz'', e tocado por inteiro mais uma vez e meia para cobrir toda a metragem (101 minutos) do filme. De acordo com o pesquisador, a sucessão de coincidências entre o melhor disco do Pink Floyd e a história da menina que é levada por um tufão ao país das maravilhas, é de fazer arregalar os olhos.


