O lado divertido de São Jorge
O lado divertido de São Jorge
Grupo paulista apresenta, na rua, a história do santo guerreiro em forma de ópera bufa
Telma Elorza
DivulgaçãoCena de A Saga de São Jorge: espetáculo mexe com a imaginação do público que torce pelo santo ou pelo dragãoO espetáculo que o grupo paulista Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades apresenta no Festival Internacional de Londrina (Filo) promete arrastar multidões. E não é para menos. A Saga de Jorge é magia, concebida para ser exibida na rua. E é isto que a companhia vai fazer hoje, ao meio-dia, na Praça da Bandeira, e amanhã, às 16 horas, no Zerão.
A Saga de Jorge traz parte da história de São Jorge, o santo guerreiro, contada por 10 músicos que, com seus trajes multicoloridos, misturam música, elementos circenses e danças populares sobre pernas-de-pau, com cerca de 1,20 m de altura. Baseado no folguedo alagoano conhecido como Guerreiro, o espetáculo é uma grande ópera bufa que mostra a face divertida do mártir cristão e orixá das correntes de umbanda e candomblé.
Segundo a diretora Lígia Veiga, que, juntamente com o ator Bado Todão, fez a adaptação da história de Jorge, o espetáculo mostra apenas a primeira parte da vida do guerreiro: a sua viagem da Capadócia até a Roma - embora, ali, não esteja situado o tempo e o espaço - para ser um soldado romano. Nesta viagem, ele chega a uma cidade onde um dragão está aterrorizando todo mundo. E já não há mais virgens para oferecer em sacrifício, só a filha do rei. O rei implora a Jorge para que a salve - conta.
A diretora diz que deixou de fora a parte mais sombria da história -
sua chegada à Roma, a perseguição e morte sobre os sete suplícios. A idéia de contar esta história é antiga. Quando conheci o folguedo alagoano, cuja estrutura casava com aquilo que eu queria, dividi o espetáculo em duas partes. A parte do suplício vai ficar para um outro espetáculo - conta.
O espetáculo, com 60 minutos de duração - com estrutura de texto de literatura de cordel - mexe com a imaginação do público. Até um dragão que cospe fogo - também sobre pernas-de-pau - foi concebido para mostrar a luta do bem contra o mal. E o mais maravilhoso é ver a reação do público. Tem gente que torce mesmo é para o dragão - brinca. São Jorge, entre um misto de herói solar e um cômico, é vivido pelo ator Henrique Stroeter, o Perônio do Castelo Rá-Tim-Bum.
A trilha sonora, que conduz a ação, tem assinatura de nomes como Zeca Baleiro, Moacy da Luz, Emerson Boy e Lelena Anhaia. Os figurinos e adereços são de Luciana Buarque e o cenário de Milton di Biasi. No elenco e técnica, além de Stroeter, estão a própria diretora, Estaban Pascoal, Virgínia Jancso, Beth Beli, Girley Miranda, Lígia Veiga, Cintia Zanco, Lelenha Anhaia, Emerson Boy, Tay Santiago e Marcelo Marquez.
A Saga de Jorge - espetáculo de rua com a Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades - hoje, às 12 horas, na Praça da Bandeira (Calçadão), em Londrina. Amanhã, às 16 horas, no Zerão.
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