Quem estava acostumado a ver a cantora Nina Becker insinuante no 3naMassa e nas folias e fuzuês da Orquestra Imperial pode cair da cadeira ao ouvir os dois discos que ela acaba de lançar. Com trabalhos diferentes dos que vinha fazendo, acompanhada da banda Do Amor - com quem toca há cinco anos -, ela também revela seu lado autoral em ''Vermelho e Azul''.
Os discos são bem diferentes entre si. ''Azul'' foi gravado em um ano, enquanto ''Vermelho'' foi feito um ano depois, em quatro dias. O curto período não é pressa, mas espontaneidade. Disco relaxado, mas vigoroso, ''Vermelho'' é cheio em instrumentos, com a belíssima ''Janela'' (Nina e Domenico Lancellotti) e ''De Um Amor em Paz'' (Domenico Lancellotti e Délcio Carvalho), com arranjo bem diferente do disco ''Carnaval Só Ano Que Vem'', da Orquestra Imperial.
''Azul'' é mais introspectivo ainda. Enxuto, mas que não deixa um pedacinho da alma desamparado. É disco de alento, com joias como ''Samba Jambo'' (Mautner e Jacobina), ''Ela Adora'' (Nina Becker, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes) e ''Janela'', com arranjo para naipe de sopros, escrito pelo padrasto de Nina, Roberto Gnattali, sobrinho do gênio Radamés.

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