Maranúbia Barbosa
Especial para a Folha
Saindo de Maalula passa-se por Sidnaya, outro vilarejo cristão bastante importante para os cristãos ortodoxos. A igreja principal é ladeada por um conjunto de escadarias que impressionam pela grandiosidade. Conta a lenda que uma senhora subia com bastante dificuldade as escadas e sentou-se um instante para descansar, deixando a lâmpada que trazia nas mãos. Quando conseguiu se recompor e prosseguiu ficou a marca de um rosto de mulher no degrau da escada. Os mais crentes conseguem ver a imagem de uma santa.
Histórias como esta povoam a imaginação dos turistas que chegam à Síria, mas são os castelos do deserto os recordistas de lendas do passado cristão de algumas localidades sírias.
Na época das Cruzadas, quando os muçulmanos mantinham em seu poder lugares sagrados para os cristãos, reis e o clero na Europa se uniam para impedir o avanço do Islã. Boa parte da população européia pereceu nas batalhas que vitimou cristãos e muçulmanos. Houve até uma Cruzada de crianças que foram dizimadas e as poucas sobreviventes, vendidas como escravas.
Um pouco da história da Igreja Católica ficou nos desertos, nos caminhos que levam a Jerusalém. Os cavaleiros cruzados, em sua defesa dos Estados Latinos do Levante, precisavam de um refúgio, um lugar onde pudessem abastecer-se de munição e provisões, trocar os cavalos e orar para Deus. Assim, inúmeros castelos estão pelos desertos da Síria e da Palestina, testemunhas vivas de parte da história. O Krak (castelo) mais grandioso é o dos Cavaleiros, em árabe, Qalajat-al-Husn, uma fortaleza descomunal erguida entre os séculos 12 e 13 d.C na Síria.
O Krak dos Cavaleiros chama a atenção pela robustez e dimensões impressionantes: são 30 mil metros quadrados de construção em pedra. Existem duas muralhas que cercam os edifícios de habitação, capelas, reservatórios de água, cavalariças e depósitos de munição. O castelo é um verdadeiro labirinto, que precisa de um dia inteiro somente para andar por suas dependências.
O local estratégico da construção do Krak é outro atrativo: dos torreões, ocultos por trincheiras os cavaleiros podiam prever qualquer ataque de inimigos. A altura privilegiada contribuiu para que a fortaleza não fosse seriamente comprometida nas batalhas, preservando-a quase que intacta.
Sem cavaleiros cruzados para abrigar o Krak guarda lendas que falam de homens que partiam da Europa, alguns em busca de sonhos, outros por puro interesse, e muitos por pura fé.

TOME NOTA
- Como chegar
Mulher do povoado de Maalula, localidade síria onde se fala aramaicoNão existem vôos diretos para o Oriente Médio. Voando de São Paulo a Roma é possível estar em outro vôo no mesmo dia em Amã. A passagem aérea da Alitália – São Paulo/Roma/Am㠖 ida e volta custa aproximadamente US$ 1.900,00. O ideal é descansar no primeiro dia e alugar um carro para conhecer melhor o roteiro. Jordânia e Síria não são países muito grandes, não necessitando de vôos internos. O aluguel de um automóvel modelo popular custa em torno de US$ 35 a diária. A gasolina não é cara e as estradas são ótimas, sinalizadas em árabe e inglês.
Mapas rodoviários são imprescindíveis. Na Síria existem serviços muito bons de taxistas que oferecem pacotes de uma semana de viagem. Quem não quiser dirigir pode ficar tranquilo: com boas referências, principalmente dos hotéis, consegue-se ótimos motoristas, que também são guias de turismo. Alguns telefones de locadoras de autos em Amã: Assaraya Rent a Car (684771), Diplomat Rent a Car (552-1637) e Albaraka (687988). Quem não aprecia aventuras em países estrangeiros pode optar por procurar agentes de viagens locais que organizam os roteiros exclusivos. A Nebo Tourism (647118) e a Abdoun Tours (829304) são algumas agências que podem levar o turista a qualquer parte indicando também a melhor forma de chegar à Síria.
- Onde ficar
Quando o dinheiro não for problema as opções são diversas. Entre os hotéis cinco estrelas destacam-se o Marriot, o Fort Grand, Intercontinental e o Regency, todos com diárias acima de 200 dólares. Bolsos mais modestos também vão ficar confortáveis e com bom gosto no Ambassador, Jerusalém International (Amã); no Dead Sea Hotel (Mar Morto); Crystal Hotel (Ácaba, às margens do Mar Vermelho), Al-Majeed e The New Fair Hotel (ambos em Damasco, capital da Síria) de onde se parte em viagem de carro até Maalula e Krak dos Cavaleiros.
- Dicas úteis
Em países do Oriente Médio espera-se que o turista prime pela discrição. Esses roteiros cristãos ficam em países que levam a religião muito a sério e contam com uma postura condizente por parte do visitante. Nada de excessos nas vestimentas, por exemplo.
A culinária árabe é deliciosa, mas deve ser degustada com moderação. Água somente mineral e comida leve, afinal a maioria dos lugares a ser visitados estão em regiões desérticas e muitas vezes é preciso fôlego para alcançar os recantos mais privilegiados. Lembre-se sempre que em país muçulmano a bebida alcóolica não é vista com bons olhos. Portanto, caso a tenha, não se exponha.
O dólar é bem aceito mas é preciso ter em mãos moedas locais, que devem ser adquiridas em casas de câmbio oficiais. Outra dica que jamais deve ser esquecida: países muçulmanos onde o turista ocidental ainda não chegam em grandes levas, como Síria e Jordânia, não aceitam em nenhuma hipótese, casais não casados no mesmo quarto. Ainda que você esteja dividindo as despesas com seu melhor amigo, irmão de fé, sem nenhuma intenção escusa, pode esquecer. Se não tiver a certidão de casamento, ambos vão ter que arcar com despesas de quartos separados.

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