O jogo de cadeiras no telejornalismo
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terça-feira, 30 de dezembro de 1997
TV Press 
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NHermano Henning junto com William Borner e Chico Pinheiro está entre os melhores do telejornalismoO telejornalismo em 97 se transformou num grande leilão. Como se não bastasse a tradicional dança de cadeiras entre os apresentadores de telejornal, as emissoras não esperavam o término dos contratos para fazer propostas indecentes para os profissionais concorrentes. Foi assim que a Record comprou o passe de Bóris Casoy, um dos mais respeitados apresentadores de telejornais do país. Ele assumiu o Jornal da Record e, de quebra, ganhou um talk show: o Passando a Limpo. Só a recisão de contrato do ex-âncora do TJ Brasil custou US$ 700 mil para os cofres da Record. O SBT arrumou um jeito de dar o troco e contratou Nei Gonçalves Dias, ex-apresentador do Cidade Alerta, para comandar uma nova versão do Aqui e Agora. O programa já foi devidamente engavetado. Hermano Henning substituiu Bóris Casoy no TJ Brasil e nem sentiu o peso da responsabilidade.
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NCom estilo light, Mônica Valdvogel foi considerada a melhor apresentadora de TV de 97Pelo segundo ano consecutivo, o diretor da Central Globo de Jornalismo Evandro Carlos de Andrade promoveu uma dança de cadeiras no telejornalismo. Insatisfeito com algumas das mudanças promovidas por ele mesmo no ano anterior, Evandro decidiu redistribuir as apresentadoras dos principais telejornais. Mônica Waldvogel foi para o Jornal Hoje, Sandra Annenberg acumulou as funções de apresentadora e editora do Jornal da Globo, Fátima Bernardes dividiu a bancada do Fantástico com Pedro Bial, enquanto Carla Vilhena trocou a Band pelo SPTV - 1ªEdição.
Ao contrário da Record, que decidiu fortalecer o telejornalismo da emissora, a CNT pareceu regredir. Depois de revigorar sua programação jornalística - chegando a atingir uma média de quatro pontos na capital paulista -, a CNT compareceu em peso nas categorias de pior telejornal para o CNT Jornal, pior programa jornalístico para o 190 Urgente e pior programa de entrevista para Deles & Delas, apresentado pelos soporíferos Júlio Lopes e Regina Marcondez Ferraz.
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NLilian Whitefibe: risinhos depois dos comentários valeram-lhe título de pior apresentadora de TVTelejornalismo
Melhor: Bom Dia Brasil
Numa categoria em que os concorrentes são muitos, o matinal Bom Dia Brasil corre por fora, desbanca alguns favoritos, como Jornal Nacional e TJ Brasil, e conquista o título de melhor telejornal do ano. Apresentado por Renato Machado e Leilane Neubarth, Bom Dia Brasil reúne uma série de bons motivos para se acordar cedo. Além da certeza de ficar bem-informado, o telespectador ainda pode dispor da opinião de articulistas como Ricardo Boechat e Arnaldo Jabor. Por fim, o discreto carisma da dupla de apresentadores, que comandam o Bom Dia Brasil com a naturalidade de quem faz o que gosta.
Pior: CNT Jornal
Muitos são os motivos que levaram o CNT Jornal a ser agraciado com o título de pior telejornal do ano. Com matérias de pouquíssima profundidade, o CNT Jornal acaba irritando quem está chegando do trabalho. A falta de respeito com o público também é gritante. Não foram poucas as vezes que os apresentadores anunciaram falsas chamadas de matérias para um bloco e tropeçaram na leitura do tele-prompter em pleno ar.
Programa jornalístico
Melhor: Globo Repórter
Globo Repórter reconquistou seu merecido lugar à frente dos programas jornalísticos, após perder por dois anos consecutivos para o SBT Repórter. Muito dessa recuperação se deve ao apresentador Sérgio Chapelin, que conquista o telespectador ao narrar a notícia com confiança e seriedade. Inteligente e factual, Globo Repórter ambiciona ampliar seu público ao alternar programas inteligentes com temáticas mais populares.
Pior: Na Rota do Crime e 190 Urgente
Tanto Na Rota do Crime quanto 190 Urgente são exemplos de programas jornalísticos que insistem na cobertura sensacionalista dos fatos. Encorajados pela presença das câmaras, os policiais resolvem bancar os heróis de filmes de ação. Num dos programas de Na Rota do Crime, um policial levanta a cabeça de um suspeito e diz: Olha para câmara, bandido! Wagner Montes assumiu o 190 Urgente com a promessa de torná-lo mais ágil e jornalístico, mas vem repetindo o mesmo festival de escatologia de seu antecessor, o Ratinho.
Programa de Entrevista
Melhor: Jô Soares Onze e Meia
Falando-se bem ou mal, a verdade é que o Jô Soares Onze e Meia continua na liderança invicta na categoria de melhor programa de entrevista pelo oitavo ano consecutivo. A tentativa de alguns jornalistas, como Bóris Casoy e Paulo Henrique Amorim, que também estrearem talk shows, só serve para confirmar a vocação do humorista para criar um programa interessante. Isso sem falar nas recentes mudanças promovidas no programa, como a exibição de vídeos no telão como uma forma de ilustrar a entrevista.
Pior: Deles & Delas
O Deles & Delas é, seguramente, o pior programa de entrevistas da tevê por uma série de motivos. A primeira delas é o horário. Permanecer acordado até a madrugada de segunda-feira não é uma tarefa muito fácil. Primeiro porque a concorrência aos domingos à noite chega a ser desleal. Depois, os convidados de Júlio Lopes e Regina Marcondez Ferraz são pernósticos e desinteressantes. O fato de o programa ser dirigido e escrito por Leleco Barbosa - filho do saudoso Chacrinha - não ajuda a salvar o Deles & Delas da bancarrota do tédio.
Apresentador de Telejornal
Melhor: William Bonner, Hermano Henning e Chico Pinheiro
O jornalista Chico Pinheiro deixou de ser novidade na categoria de melhor apresentador de telejornal. Afinal, já foram cinco premiações consecutivas. Esse ano, ele divide o posto de melhor apresentador com William Bonner e Hermano Henning. O curioso é que tanto o apresentador do Jornal Nacional quanto o âncora do TJ Brasil tiveram este ano a responsabilidade de substituir, respectivamente, Cid Moreira e Bóris Casoy. E fizeram bonito.
Pior: Eliakim Araújo
Eliakim Araújo já ficou famoso pelo número excessivo de gafes que comete no ar. A exemplo da mulher - a também apresentadora Leila Cordeiro -, Eliakim não consegue transmitir ao público a tão necessária credibilidade que a notícia merece. Mesmo assim, ele foi chamado para ancorar um jornal produzido pela rede americana CBS em parceria com o SBT. A sorte é que só é exibido bem tarde. Quase não atrapalha.
Apresentadora de Telejornal
Melhor: Mônica Waldvogel e Leilane Neubarth
Ninguém saiu lucrando mais com as mudanças promovidas por Evandro Carlos de Andrade no telejornalismo da Globo que Mônica Waldvogel. Convidada a trocar o Jornal da Globo pelo Hoje, ela saiu dos índices econômicos e medidas provisórias a que estava acostumada e teve a oportunidade de experimentar um jornalismo mais light, voltado para um público diferente do seu anterior. E aí contou a enorme simpatia e segurança da moça.
Pior: Lilian Witte Fibe e Leila Cordeiro
Lilian Witte Fibe e Leila Cordeiro têm algo em comum. As duas não perdem a mania de pontuar determinados comentários com risinhos infames. Lilian Witte Fibe assumiu a bancada do Jornal Nacional ao lado de William Bonner sem alterar o tom grave da voz e a expressão sisuda no rosto. A apresentadora do Jornal Nacional, por exemplo, não consegue disfarçar um sorriso sádico quando o Ministério da Economia anuncia alguma medida econômica para arrochar o bolso do consumidor.
Programa esportivo
Melhor: Esporte Espetacular
O Esporte Espetacular conquista o tetracampeonato na preferência dos votantes na categoria melhor programa esportivo. Com uma edição de imagens imbatível e a proposta de transmitir ao vivo eventos como o Circuito Mundial de Vôlei de Praia, a Copa do Mundo de Futsal e o Campeonato Sul-Americano de Beach Soccer, o programa se tornou uma opção obrigatória nas manhãs de domingo para os amantes do esporte. Os competentes Fernando Vannucci e Milena Ciribelli também colaboram para o sucesso do Esporte Espetacular.
Pior: Com a Bola Toda
Com a Bola Toda não tinha como escapar do título de pior programa esportivo. Transmitido aos domingos, entre 21h e 22h:30m, o programa consegue escalar a pior equipe esportiva da televisão brasileira. A começar pela apresentação inexpressiva de José Luiz Datena, os comentários parciais de Mário Sérgio e a análise bairrista de Eli Coimbra. Pior mesmo é quando Datena chama os correspondentes Raimundo Varela, de Salvador, e Carlos Valadares, de Belo Horizonte e aparecem inúmeras falhas com o áudio. O nível é tão baixo que Márcio Guedes - aquele que disse a inesquecível frase Os italianos parecem cansados naquele Itália X Brasil, pouco antes de Paulo Rossi marcar três gols -, que fala do Rio, está sobrando no programa da Record.
Locutor Esportivo
Melhor: Galvão Bueno
Galvão Bueno segue firme como o melhor locutor esportivo da televisão. Com o seu jargão característico Alô amigos da Rede Globo, ele vem conquistando cada vez mais a simpatia do telespectador. Amado por uns e odiado por outros, a verdade é que o locutor consegue demonstrar firmeza e propriedade na hora de transmitir uma luta de boxe, uma partida de futebol ou uma corrida de Fórmula 1. Apesar de exagerar às vezes na sua interpretação de jogadas ou lances e assumir ares de comentarista, o fato é que Galvão Bueno consegue o mais importante: manter o público interessado.
Pior: Luciano do Valle
Nem o jeito bonachão de Luciano do Valle o livra de ser apontado pelos votantes como o pior locutor esportivo da tevê. O comandante da equipe da Band também faz por merecer o título. Além de errar constantemente os nomes dos jogadores em campo, não é difícil de ouvi-lo expressar claramente suas preferências. Mas o pior de tudo é o merchandising constante que Luciano do Valle insiste em empurrar goela abaixo dos telespectadores. Ele sempre acaba esquecendo da prática esportiva e transforma os jogos numa grande feira de conveniências.
Comentarista Esportivo
Melhor: Falcão
Falcão consegue atingir o equilíbrio exato nos seus comentários sobre futebol. Ele utiliza com sabedoria a sua longa experiência como jogador no Brasil e no exterior para fazer seus comentários de uma maneira imparcial e principalmente com propriedade. Uma das vantagens que Falcão tem sobre outros comentaristas é que ele já trabalhou como técnico, inclusive da seleção brasileira. Por isso ele conhece bem os esquemas táticos mais comuns do futebol e consegue prever as eventuais mudanças que podem ocorrer durante os jogos. Além do mais, Falcão tem a classe que falta para a maioria dos comentaristas.
Pior: Juarez Soares
Juarez Soares não perde o jeito rabugento. Com isso ele conseguiu atingir o topo da lista do pior comentarista esportivo da tevê. Resvalando muitas vezes no bairrismo e na defesa cega do Corinthians, seu time de coração, o comentarista do SBT não perde a mania de criticar muitas vezes sem razão jogadores e técnicos. Mas na verdade falta para ele uma das qualidades mais importantes para quem quer se comunicar com o público: carisma. E como o SBT não transmitiu o Campeonato Brasileiro de Futebol de 1997, o China não manteve a regularidade necessária para manter-se em forma na hora de fazer os comentários. Além disso, o português de Juarez Soares deixa a desejar.
Veja os melhores e os piores shows da TV na página 4.


