O jazz perde Joe Williams
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quarta-feira, 31 de março de 1999
Mauro Dias Agência Estado 
O cantor de jazz Joe Williams morreu segunda-feira, numa rua de Las Vegas (EUA), quando andava de um hospital para casa, da qual estava próximo. Tinha 80 anos - nasceu em dezembro de 1918 - e, na opinião de muitos, ainda cantava melhor do que a maioria de seus pares. Williams havia ido algumas vezes ao Hospital Sunrise, desde a semana passada, por causa de problemas respiratórios. Sua mulher o esperava em casa. Algumas horas passaram até que o corpo fosse encontrado.
Era uma das últimas grandes vozes clássicas do jazz. Não teve a fama popular de outros, como Frank Sinatra ou Tony Bennet. Era, estilisticamente, mais rigoroso do que eles. Como Sinatra, Joe Williams (que nasceu Joseph Goreed) cantou em orquestras - especialmente na de Count Basie, de cujo septeto também participou, nos anos 50, mas também nas bandas de Lionel Hampton e de Coleman Hawkins. Cantou duetos com Ella Fitzgerald, em 1956, e começou a gravar seus próprios discos, sempre com os melhores músicos e orquestras do jazz.
No Brasil, gostava de cantar no 150, do Maksoud Plaza, onde esteve algumas vezes, nos anos 80. Em 1989, participou do Free Jazz Festival, acompanhado por Frank Foster, líder da orquestra de Count Basie. Em um momento dos anos 40, havia desistido de ganhar a vida cantando - já que não fazia concessões e, cantando só o que gostava, o ofício se tornara difícil. Joe Williams chegou a ser vendedor de artigos de perfumaria. Quando conheceu Basie, retomou a carreira.


