O jazz na pauta do dia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de janeiro de 2002
Zeca Corrêa Leite 
Curitiba A 10ª Oficina de Música de Curitiba que começa hoje, oficialmente, com show de Mauro Senise no Teatro da Reitoria, traz como novidade a cadeira de jazz. Por todos esses anos os jazzistas se viram fora da festa, mas a entrada de novos curadores Hélio Brandão e Sérgio Albach mudou o cenário.
Como a máquina já vinha muito bem azeitada sob o comando de Roberto Gnattali, as alterações são poucas. Procuramos manter muita coisa do que já vinha sendo feito para ter uma continuidade, disse Brandão. A inclusão de um núcleo de jazz não altera substancialmente o quadro docente, considerando-se que alguns professores têm a característica de também serem jazzistas.
Segue-se o exemplo da primeira parte da Oficina que trabalha com a música barroca, a erudita mais tradicional e a contemporânea. Então quanto maior for o leque de estilos musicais e tipos de música que conseguirmos abranger, será melhor, analisa.
A abertura de cursos contemplando o jazz foi uma medida acertada. A certeza disso veio com a pronta resposta dos alunos. Deu para sentir que estava fazendo falta. Outra preocupação foi aumentar a participação de músicos da cidade. Há uma porcentagem de professores de fora, mas tentamos criar uma aproximação com os profissionais daqui, que ficavam mais distantes. Helinho Brandão acredita que assim fecha-se um ciclo entre o aluno, o professor visitante e o músico local.
O cenário curitibano sofre mudanças que nem sempre são percebidas em seu cotidiano. A percussão, por exemplo, caiu no gosto da juventude que lotou todas as turmas oferecidas pelo evento. Este ano houve uma procura considerável para esse núcleo, justamente numa cidade que não tem tradição de percussionistas. Está começando agora um movimento que não existia.
Por outro lado o solene baixo acústico e o romântico bandolim estão em baixa. Se a gente descuidar, o baixo entra em extinção em Curitiba, adverte o diretor. Seja na mpb como no jazz a realidade é uma só, ao contrário do que acontece na música clássica. No erudito tem mercado de trabalho, profissionais e estudantes que vão dar continuidade ao instrumento, mas no popular a procura foi muito baixa. Nosso objetivo é investir para chamar a atenção dos jovens músicos.


