Ele é um senhor com um charme irresistível. Imaginar o Rio de Janeiro sem a elegância dos traços neoclássicos do Hotel Copacabana Palace parece impossível. Desde que foi inaugurado, em 1923, o hotel se incorporou à história não só da cidade, mas também à do Brasil. Cenário de muitos acontecimentos, o Copa, como é conhecido pelos cariocas, sempre esteve em destaque. Seja pelos seus hóspedes ilustres, seja pelo seu serviço irretocável, ou simplesmente pelo glamour que adquiriu ao longo do tempo.
No ano passado, o Copa recebeu mais um prêmio para reafirmar sua fama: foi escolhido o melhor hotel de luxo na América Latina pelo Official Hotel Guide, publicação da Travel Group’s, o mais famoso guia internacional de hotéis. Cerca de 20 mil agentes de viagem de todo o mundo responderam a uma pesquisa realizada pela editora.
A idéia de construir um hotel na desconhecida e selvagem Praia de Copacabana partiu do presidente Epitácio Pessoa, que convenceu Octávio Guinle a investir no projeto. Planejado pelo arquiteto francês Joseph Gire, o prédio foi inspirado nos traços dos Hotéis Negresco, em Nice, e do Carlton, em Cannes (ambos na França).
Dez anos depois da inauguração, o Copa foi utilizado como pano de fundo para o filme ‘‘Flying Down to Rio’’, musical onde dançaram pela primeira vez juntos Fred Astaire e Ginger Rogers. Era o início de uma carreira de sucesso. ‘‘O Copacabana Palace foi o hotel que inventou a moda de convidar artistas como hóspedes, atraindo, assim, outras estrelas’’, diz o jornalista Ruy Castro, que planeja lançar um livro sobre o Copa. ‘‘Ele representa a vida boêmia e elegante do Rio’’, completa.
Piscina privativa Os tempos de glória fizeram com que o edifício principal, tombado pelo Patrimônio Histórico, ganhasse um anexo em 1948. Durante esses anos todos a lista de hóspedes é de dar inveja: gente da realeza, do show business, atletas, políticos e empresários. Por isso, o hotel abriu uma galeria de fotos dos hóspedes e guarda, com carinho, um livro de ouro com assinaturas preciosas.
Em setembro de 1989, o hotel passou das mãos da família Guinle, uma das mais tradicionais da cidade, para o Grupo Orient-Express Hotels, que comprou o prédio por US$ 23 milhões. O primeiro e grande desafio dos investidores foi colocar a casa em ordem. Até agora, já foram gastos mais de R$ 30 milhões em reformas. Hoje, são 226 apartamentos e suítes. Para o próximo ano está programada a reforma do teatro, de 600 lugares, que está fechado. Um investimento de US$ 2 milhões transformou o quinto andar, ocupado antes por quartos comuns, no Executive Floor, onde tudo está voltado para atender os profissionais que não têm tempo a perder e precisam de infra-estrutura para tocar os negócios.
O luxo ficou reservado para o sexto andar, lugar no qual morou, até a morte, a viúva de Octávio Guinle, dona Mariazinha. Foram construídas sete suítes, cada uma com mais de 100 metros quadrados, que receberam o nome de Penthouses Suites. Quem se hospeda ali pode se dar ao luxo de ter uma piscina privativa. O decorador francês Gérard Gallet criou o visual do andar com mobílias antigas, reprodução de gravuras de Debret, tapetes orientais e cortinas de tecidos importados. Os sinais de requinte não páram por aí: da banheira o hóspede aprecia a praia.
Além das reformas internas, a gerência do hotel, comandada por Philip Carruthers, vem criando novas instalações. A mais nova aquisição foi uma sala de ginástica, que fica ao lado da piscina. Aproveitando um espaço que não era utilizado no anexo, foi contruída uma quadra de tênis. O serviço de traslado entre o aeroporto e o hotel é feito com dois carros Mercury (modelo Lincoln Town Car), que ficam à disposição dos clientes 24 horas por dia.

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