Nelson Sato
De Londrina
Os súditos da ‘‘Donzela de Ferro’’ nunca foram tão abastecidos. Disco, game e revistas constituem a tentação de quem se atreve a circular com grana pelo centro da cidade. A principal novidade da temporada é o CD triplo Ed Hunter, lançado no Brasil pela EMI, reunindo um jogo de computador e uma antologia dos maiores sucessos do Iron.
Na esteira do produto, duas publicações especiais chegam às bancas trazendo a história, a discografia e algumas letras de músicas dessa que é uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos. O Iron Maiden despontou na metade da década de 70, à frente de um movimento de rock pesado que tentava rivalizar com o punk rock, então vigente na Inglaterra.
Defendiam um rock-n’-roll mais técnico, sofisticado instrumentalmente. A fórmula envelheceu junto com os integrantes, mas sua popularidade renova gerações. No Brasil, o culto à banda é coisa séria. Se você não é um seguidor do grupo, com certeza seu irmão mais novo, seu vizinho ou um de seus amigos estão entre aqueles que estampam a figura da caveirinha Eddie na camiseta preta.
A caixa Ed Hunter é uma celebração do mito. Dois CDs reúnem 20 clássicos da banda, escolhidos pelos próprios fãs através da Internet, em dezembro passado. O terceiro CD traz um game do tipo ‘‘aponte e atire’’ protagonizado pelo ‘‘mascote’’ Eddie, sempre presente nos shows e nas capas dos discos.
A seleção musical abre com uma gravação ao vivo da canção que dá nome à banda extraída do álbum Live After Death, de 1985. A sequência traz as empolgantes ‘‘The Trooper’’ e ‘‘Number Of The Beast’’ seguindo adiante com ‘‘Poweslave’’, ‘‘Run To The Hills’’, ‘‘Fear Of the Dark’’, ‘‘2 Minutes To Midnight’’, ‘‘Hallowed Be Thy Name’’ e mais uma dezena de hits emplacados em mais de duas décadas de carreira.
O primeiro vocalista Paul Di’Anno comparece nas faixas ‘‘Wrathchild’’, ‘‘Phantom Of The Opera’’ e ‘‘Killers’’. Blaze Hailey, vocalista que substituiu Bruce Dickison por cinco anos, também se faz presente em ‘‘Futureal’’, ‘‘Man of the Edge’’ e ‘‘The Clansmam’’. Mas é Bruce Dickinson, obviamente, quem ofusca os concorrentes berrando seus medos ancestrais e fantasias ocultistas em composições de sua autoria ou em parceria com o baixista e fundador da banda Steve Harris.
Dickinson desligou-se do Iron em 1993. Retornou há quatro meses depois de lançar seu segundo álbum-solo, publicar o segundo livro e apresentar um programa na rádio BBC One. Junto com ele, voltou também o guitarrista Adrian Smith que havia abandonado o barco em 1990. Foi para comemorar o reencontro que a banda (não seria melhor dizer, a gravadora?) decidiu lançar o kit Ed Hunter, da mesma forma que o mercado editorial resolveu investir no assunto.
A badalação rendeu o lançamento das revistas Iron Maiden – A História e Glória da Donzela de Ferro (editora Canaã) e Iron Maiden – A Volta da Formação Original (editora Escala), ambas reunindo textos biográficos, discografias e algumas letras de músicas. O detalhe, abominável, é que o texto de René Ferri é o mesmo – com leves alterações – nas duas publicações. Mais feio que isso só o preço da caixa com os três CDs, que está à venda a R$ 65,70.
Hoje, excepcionalmente, deixamos de publicar a coluna QG, assinada por Nelson Sato. A coluna será publicada amanhã, na página 6.Um CD triplo e duas publicações especiais comemoram a volta da velha formação da banda inglesa
ReproduçãoIron Maiden: banda de heavy metal reverenciada nos anos 70 ainda mostra sua força com lançamentos sofisticadosReproduçãoCD triplo inclui um gameReproduçãoRevistas contam a trajetória da banda incluindo discografia, videografia e algumas letras de músicas

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