O terceiro longa-metragem do cineasta paulista Beto Brant, ''O Invasor'', chega ligeiramente atrasado a Londrina, depois do lançamento em abril, com 15 cópias em salas de São Paulo e Rio de Janeiro. Pelas mãos do projeto Sessão Brasil Debates sobre o Cinema Brasileiro o filme tem hoje uma sessão para convidados, às 21h30, e a partir de amanhã entra em cartaz no Cine Catuaí. Amanhã acontece também um debate sobre o novo cinema nacional, às 10 horas, no auditório de Cesa, na Universidade Estadual de Londrina.
O longa brasileiro foi premiado na competição latino-americana no Festival de Sundance 2002, em janeiro, e selecionado para o Festival de Berlim 2002. No Festival de Cinema de Brasília, ''O Invasor'' saiu vitorioso com os prêmios de crítica, trilha sonora, direção e prêmio Aquisição do Ministério da Cultura. O filme também começa uma carreira internacional, com exibições na França, Inglaterra e Israel.
''O Invasor'' é um thriller que pretende desvendar os bastidores da violência urbana brasileira. A presença do integrante da banda Titãs, Paulo Miklos, tem sido considerada a sensação do filme. Miklos emplacou como ator de cinema levando o prêmio de revelação no Festival de Brasília. Anísio (Paulo Miklos) o ''invasor'' do título é contratado pelos engenheiros Ivan (Marco Ricca) e Giba (Alexandre Borges) para assassinar Estevão, o sócio majoritário da construtora em que trabalham.
Estevão está obstruindo caminho para um negócio ilegal. Após eliminar o indesejável sócio, Anísio começa a frequentar a firma e a atormentar a vida dos mandantes. Com planos de ascensão social, ele tem um envolvimento com a filha da vítima, a ninfeta Marina (Mariana Ximenez). Ivan e Giba defrontam-se com o processo de violência que desencadearam.
Os personagens de ''O Invasor'' transitam muito por São Paulo, a começar pela dupla de engenheiros que faz contato com o matador de aluguel na periferia. Há uma sequência em que Anísio leva a ninfeta do bairro nobre para um passeio à periferia. O rap faz contraponto com a viagem, enquanto o casal transa dentro do carro. A linguagem pop impera na película, que agrega uma galera diversa na trilha sonora. Sabotage (que faz participação no filme), Pavilhão 9, Tolerância Zero, Alec Haiat e Yann Marcel tecem o clima exasperante da trama.
Além de Paulo Miklos catalisar as atenções no filme, ''O Invasor'' conta com a fotografia alucinante de Toca Seabra, fazendo sua estréia em filmes. A parceria entre o escritor e roteirista Marçal Aquino já havia acontecido em ''Os Matadores'' e ''Ação entre Amigos''. Aquino, segundo o diretor, trabalha numa linha arriscada de discussão ética e moral. ''Marçal Aquino tenta buscar as biografias implicadas numa questão que é real. A ficção fica comprometida com a realidade'', definiu Brant à Folha2.
O filme mostra que a brutalidade está presente em todas as classes sociais. Apesar do vaivém por São Paulo, há uma ilusória mobilidade social, com o denominador comum nacional: a violência (apesar de não haver atos de violência explícita na tela). Anísio promove o intercâmbio de violência entre o serviço sujo e o do colarinho-branco. ''A periferia está no vértice do conflito. Esse é um filme em que o público se apaixona ou sai do cinema perturbado'', afirma Beto Brant.
''O Invasor'', de Beto Brant, produção Drama Filmes, Roteiro: Marçal Aquino, Beto Brant e Renato Ciasca. Fotografia: Toca Seabra. Elenco: Marco Ricca, Alexandre Borges, Paulo Miklos, Malu Mader, Mariana Ximenes, Chris Couto. Duração 97 minutos. Hoje, às 21h30, no Cine Catuaí, para convidados do projeto Sessão Brasil Debates sobre o Cinema Nacional Patrocínio: Sercomtel. Apoio Cultural: Cedro Hotel, Cines Catuaí, UEL e Rio Sul.

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