Gramado - Na intensa programação do 47º Festival de Cinema de Gramado, os títulos brasileiros e latino-americanos vem se alternando na tela do Palácio dos Festivais, diariamente lotado para as sessões de curtas e longas metragens, além das diversas homenagens. Entre essas, aos dois curadores mortos no primeiro semestre: a argentina Eva Piwowarski, diretora, produtora e ativista cultural , e o crítico Rubens Ewald Filho.

Ao mesmo tempo em que lamenta essas perdas importantes, por outro lado o festival comemora mais um ano de afirmação como a mais importante mostra de cinema do país. É o único evento do gênero no Brasil que não foi afetado pelo corte de verbas na área da cultura, decretada pelo atual governo. Não por causa das belezas da serra gaúcha ou por costuras políticas; mas pela permanente independência financeira que a organização do evento sempre soube preservar, uma poderosa aliança entre órgãos públicos do governo do Rio Grande do Sul e de Gramado, e empresas gaúchas. Com o apoio de toda uma cidade turística que não brinca em serviço e que não para de crescer.

'O Homem Cordial": filme aborda a violência da noite paulistana
'O Homem Cordial": filme aborda a violência da noite paulistana | Foto: Divulgação

A seleção de filmes para as mostras competitivas nos formatos de longa e curta metragem continua apostando forte no equilíbrio entre as temáticas social e intimista, entre a urgência de assuntos prementes e a inquietação existencial. Entre os sete longas de sete países, até o momento os destaques são a Costa Rica e a Bolívia. Candidatos a principio improváveis por suas modestas trajetórias na produção cinematográfica, os dois países trouxeram filmes com olhares agudos sobre temas bem diversos, como a mulher na sociedade que oprime e o trafico de pessoas. Por suas características bem definidas, respectivamente “O Despertar das Formigas” e “Muralha” são filmes que devem merecer uma avaliação mais atenta por parte do júri.

Entre os brasileiros vistos até o momento, decorrido meio festival, o paulista “O Homem Cordial” e o cearense “Pacarrete” entraram na mira do júri por méritos em territórios opostos . O primeiro, pela arguta observação diante de racismo e violência na árida e rarefeita paisagem urbana da noite paulistana. E o filme nordestino, ao falar de um personagem feminino muito peculiar, retratado poeticamente. A um só tempo trágica e engraçada, a Pacarrete do título é uma dessas doidinhas que habitam as cidades e criam fatos e lendas que vão povoar o imaginário das pessoas. A interpretação da paraibana Marcelia Cartaxo parece ter um Kikito já ao alcance.

A estreia de Bruna Marquezine no cinema não vai deixar nenhuma lembrança marcante. Em “Vou Nadar até Você” ele apenas cumpre tabela: nada muito, deixa à mostra alguns nudes . Não compromete, mas também não diz a que veio. O filme, estreia na direção do fotografo Klaus Mitteldorf, também não ajuda.

No filme 'Eu Vou Nadar Até Você', Bruna Marquezine não brilha, mas também não compromete
No filme 'Eu Vou Nadar Até Você', Bruna Marquezine não brilha, mas também não compromete | Foto: Divulgação

Ontem à noite foi a primeira exibição pública de “Hebe – a Estrela do Brasil”. Grande expectativa com o longa de Mauricio Farias. O festival entrou em sua segunda metade. Vamos ver.

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