A artista plástica
Letícia Faria
abre exposição
amanhã em Londrina
Dorico da SilvaLetícia Faria: ‘‘Eu quero que as pessoas me digam o que sentem’’
Telma Elorza

Mexer com a imaginação, provocando reações diversas, é praticamente uma definição de arte. Porém, é este conceito que move a exposição que a artista plástica Letícia Faria abre amanhã, às 20h30, no Espaço Cultural Banestado, em Londrina. A mostra pode ser visitada até o dia 27.
A exposição reúne 10 acrílicas sobre tela e seis objetos em ferro, madeira, vidro e penas, todos resultado de um trabalho que Letícia vem desenvolvendo há dois anos. Em todos, a marca incontestável da artista que busca uma comunicação além de palavras, através das reações do público perante suas obras. ‘‘Eu quero que as pessoas me digam o que sentem. Eu não preciso dizer o senti. As minhas emoções já estão aí, prontas, dentro do contexto’’, explica.
Para ela, a realização, como artista, está quando o público faz qualquer tipo de manifestação, principalmente a de prazer. ‘‘O prazer é relativo, não se resume a um ato de contemplação e relaxamento. Este é fugaz. Eu quero o prazer do sentir-se vivo, mobilizado pela emoção, pela retomada de referências. Reflexão, questionamento, isto é um prazer. Fazer um exercício de reflexão e se sentir vivo’’, afirma.
Reprodução‘‘Roda dos Ventos’’Também poderia ser chamado de provocação. Nesta exposição, Letícia faz um jogo com o observador, uma brincadeira onde parece instigar o olhar a descobrir novos elementos. Isto pode ser observado nos objetos, que são representações tridimensionais de outros que podem ser encontrados nas telas. Além disto, suas figuras - combinando configurações zôo e antropomórficas ou em pedaços - provocam uma incômoda sensação no estômago. ‘‘Eu quero provocar sensações que estão além das palavras. A minha obra não é ilustrativa de um fato. Ela é o fato. Por isto, traz elementos do real e do irreal, do mundo visível e do invisível. E o irreal é aquilo que você sente. Espero que cada um possa buscar a compreensão desta mistura’’, explica.
O jogo continua também nos pontilhados que a maioria dos trabalhos expostos apresenta, como se convidasse o espectador a recortar, preencher os espaços em branco. ‘‘Nada do que está sendo mostrado aqui é por acaso. Eu quero a interação total, embora metafórica. É como se convidasse o público a tomar as rédeas e expressar ali seus sentimentos, a continuar meu trabalho’’, afirma. Sobre as emoções que quer provocar, Letícia é reticente. ‘‘Eu sei as que o trabalho provocou em mim, sensações tão fortes que, para mim, colocá-las em palavras, é muito pouco. A palavra é restrita. Principalmente porque não tem uma historinha clara, só uma emoção pura e intensa’’, diz.
Reprodução‘‘Es-calada’’
A mostra, que coincide com o mês do 70º aniversário do Banestado, ganhou catálogo especial que entra no foco dado pela artista e completa, como uma lembrança, o jogo lúdico que Letícia faz com o observador. Cada trabalho está reproduzido em cartões cujas figuras podem ser recortadas e montadas, com outros elementos, ‘‘para criar seus personagens’’.
Completando a exposição, Letícia fará a palestra ‘‘O Processo de Criação’’, no sábado, das 9 às 11 horas, no próprio Espaço Banestado. As inscrições podem ser feitas na Usina do Conhecimento, pelo telefone (043) 338-3446, com Claudemir. A taxa de inscrição é de R$ 10 e há apenas 30 vagas.
• Exposição de Letícia Faria - abertura amanhã, às 20h30, no Espaço Cultural Banestado (Av. Bandeirantes, 500), em Londrina. A mostra pode ser visitada até dia 27, de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas.

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