Procura-se uma revista Playboy desesperadamente. E não pense que é só pelo que se lê em suas páginas - argumento mais que manjado entre alguns colecionadores. Por incrível que pareça, o interessado também não quer saber do recheio. Mesmo assim fará de tudo para conseguir um exemplar.
Neste caso, mais do que em qualquer outra circustância, os fins justificam os meios, não importando se para conseguir a famosa publicação masculina será preciso comprar, emprestar ou alugar. Tanto esforço não é porque se trata de uma edição rara tipo aquela com a Xuxa na capa. Não. Um exemplar simplezinho serve, sem nenhuma celebridade do momento.
O alvo de tanta cobiça e desejo é um dos muitos pedidos que a equipe de produção do Festival de Música de Londrina (FML) teve que atender na edição dos 30 anos do evento.
Um pelotão de 10 produtores comandando por Michele Figueiredo, que há seis anos coordena a equipe de produção do FML, experiência acumulada nos 13 anos em que também se dedica ao Festival Internacional de Londrina (Filo).
Glamour só no nome: equipe de backstage. Na realidade, o trabalho é pesado. Pense rápido onde conseguir esta lista de coisas na cor pink: Sandálias havaianas números 36 e 39, duas almofadas, leques, caixas de bombom e taças. Ah, sem esquecer a Playboy. Uma revista não, mas 10 exemplares.
Exigências dos artistas que comumente se diz que são para ontem, já que os produtores têm pouco tempo para providenciar tudo.
O pedido de adereços na cor pink não foram caprichos de alguma artista tipo ''patricinha de Bervely Hills'', e nem a Playboy ataques de voyeurismo de algum fã da revista.
Os objetos de cena ajudaram o elenco a contar a história da ópera ''A Serva Padrona'', direção da alemã Nadine Hellriegel, diretora do Ensemble New Hope Opera, de Hamburgo (Alemanha), espetáculo em comemoração aos 300 anos do compositor Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736).
Guilherme Rossini, o Caroço, da equipe de produção, afirma que em algumas situações é preciso quase que fazer mágica para dar conta de todos os pedidos. ''A produção sempre se desdobra, se compararmos a dimensão do festival com os recursos que temos. Porém, a equipe faz acontencer com o que tem, produzindo espetáculos de primeira linha, com artistas de renome nacional e internacional'', afirma o produtor.
Michele conta que em espetáculos cênicos-musicais, a exemplo de ''Romantismo como Destino'', sobre as correspondências do casal alemão Clara Wieck (1819-1896) e Robert Schumann (1810-1856), idealização e direção musical de Marco Antonio Almeida, é preciso garimpar mobilários em antiquários. Outras peças, como uma máquina de chá russa, foram emprestadas. Também é necessário confeccionar figurinos para algumas apesentações, como a da ''Diva Jazz e Banda Sinfônica'', com regência de Mônica Giardini.
Que os outros envolvidos na coordenação do evento não fiquem enciumados, mas o pessoal da produção carrega o festival nas costas. Afirmação que se justifica no monta e desmonta estrutura para as apresentações.
Também estão a postos para atender a outras solicitações dos artistas, como informar quanto custa lavar um par de meias em lavanderia. Com os estrangeiros, o negócio é abusar do ''portunhol'' e ''alemanhol'', improvisados com algumas palavras em inglês no meio.
Com três telefones que não param de tocar em sua frente, Michele Figueiredo afirma que as diferenças culturais entre os participantes não são problema. A coordenadora de produção lembra também que é sempre uma das primeiras a chegar no QG do festival, no Colégio Mãe de Deus, e uma das últimas a sair.
Michele começa o trabalho de produção pelo menos uns 10 dias antes do festival começar e, mais uma vez no encerramento, será uma das que ficam um pouco mais para como se diz: apagar a luz até a próxima edição do evento.

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