O importante é o bem-estar
O turista goza merecidas férias depois de dar duro o ano inteiro e quer ir para um lugar onde possa sentir-se bem. Quer descansar e divertir-se com conforto e segurança. Cidades que não oferecem isso sequer para seus moradores dificilmente oferecerão para seus visitantes. A cidade só pode ser boa para o turista se for boa para o cidadão que mora nela, ensina o presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho.
Nada que dependa da solução dos problemas sociais e de segurança pública do Brasil ocorrerá num futuro previsível. Mas o turismo tem seus caminhos próprios. Os resorts são um deles. O complexo da Costa do Sauípe foi erguido numa restinga ao norte de Salvador onde há pouco mais de dois anos não havia senão vilarejos de pescadores. Hoje, é o primeiro grande destino no Brasil que alcança o padrão do turista mais gastador do mundo: o americano.
Os novos resorts de Porto das Dunas, no Ceará, e do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, também conjugam beleza natural e conforto. Há outros projetos em gestação no Nordeste e em Mato Grosso. Em todos esses lugares, o turista está a salvo das agruras urbanas do Brasil.
Mas nas grandes cidades também é possível sonhar. Algumas conseguem conciliar turismo de negócios e de eventos com lazer: o Rio, graças ao tamanho de sua economia e às inúmeras atrações e fama; Salvador, com seus centros de convenções e investimentos em turismo; e Manaus, com a Zona Franca e o turismo ecológico.
O turismo de negócios e eventos deve ser o sustentáculo, porque, como observa o vice-presidente da Blue Tree, Jorge Nishimura, há cinco dias na semana e 11 meses no ano para o trabalho e apenas dois dias de descanso e um mês de férias. Nos hotéis da rede Accor, por exemplo, a taxa de ocupação de segunda a sexta é de 80%; nos fins de semana, cai para 40%.
O desafio é fazer com que o homem de negócios que chega na segunda-feira não vá embora na quinta ou sexta, mas passe o fim de semana na cidade, ocupando hotéis, circulando em táxis, indo a museus, teatros e restaurantes, e fazendo compras. E, se possível, que, quando for usar os créditos de milhagem a que tem direito ou planejar sua viagem de férias com a família, lembre-se daqui.
São Paulo, onde se realizam 76% das feiras de negócios do País, está bem longe disso. Não há cristo que faça um homem de negócios passar o fim de semana aqui, dramatiza o presidente da Favecc. Não é difícil entender por quê: Ele chega em Cumbica, dos oito guichês da Polícia Federal, só há um funcionando. Fila enorme. O funcionário, que não fala inglês, recebe-o de mau humor. Na alfândega, outra tortura. Quando finalmente consegue sair do aeroporto, enfrenta um trânsito desgraçado na Marginal. Para embarcar de volta, tem de sair com três, quatro horas de antecedência. Você acha que ele terá ânimo de voltar aqui algum dia de férias com a família? (Colaborou Gorete Ferreira)





