O imperfeito jogo de aparências
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segunda-feira, 03 de maio de 1999
Celso Mattos 
Em outubro, quando Um Crime Perfeito estreou nos cinemas a crítica se antecipou em classificá-lo como mais uma refilmagem desnecessária da obra de Alfred Hitchcock. É bom esclarecer que o filme não é uma versão atualizada do clássico Disque M para Matar, dirigido pelo mestre do suspense em 1954, com Grace Kelly e Ray Milland. A fita que acaba de chegar às locadoras é uma adaptação da mesma peça de teatro em que Hitchcock se baseou. Portanto, não se trata de uma refilmagem e nem de uma cópia malfeita como aconteceu em Psicose, dirigido por Guns Van Sant.
Contando com a direção de Andrew Davis, que fez O Fugitivo e com uma produção requintada, Um Crime Perfeito tem luz própria e garante quase duas horas de bom divertimento. Está longe de ser um grande filme, mas também não chega a agredir a inteligência do espectador. A história é um quebra-cabeças, um triângulo amoroso entre três pessoas que aparentemente se amam e se odeiam umas as outras ao mesmo tempo.
Michael Douglas interpreta o milionário Steven Taylor que está à beira da falência. Como se isso não bastasse, ele descobre que sua mulher Emily Bradford (Gwyneth Paltrow) está dormindo com outro homem, o artista marginal David Shaw (Viggo Mortensen).
Para resolver seu problema financeiro e embolsar os milhões da herança da mulher, ele contrata o próprio amante da esposa para matá-la. Bom, mas isso é só o pontapé inicial para uma trama de amor, sexo e traição muito bem costurada e sem soluções vulgares. Uma das primeiras mudança feitas pelo diretor foi a transferência da ação de Londres dos anos 50 para a deslumbrante e superficial Nova York de hoje. A cidade com seu ritmo acelerado e guiado pelo dinheiro tem tudo a ver com o clima de thriller imposto pelo diretor Andrew Davis em Um Crime Perfeito.
Michael Douglas e Gwyneth Paltrow seguram bem o filme, porém, o mesmo não se pode dizer de Viggo Mortensen que tem uma interpretação bastante insossa. No entanto, isso não chega a comprometer este suspense que é um verdadeiro jogo de gato e rato, mostrando que um crime perfeito pode ser tão impossível de se realizar como o amor perfeito. Deixando o ritmo acelerado de O Fugitivo, o cineasta Andrew Davis imprimiu em Um Crime Perfeito um clima de sensualidade, elegância e muito suspense. Lançamento da Warner Home Vídeo. Duração: 107 minutos.


