France Presse

Arquivo FolhaO portunhol, uma mistura entre o castelhano e português, incrementada com todo tipo de americanismos, deliciosos neologismos e desastrosos barbarismos, está se tornando o ‘‘idioma diplomático’’ do Mercosul (mercado comum que reúne Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, além de Bolívia e Chile, como associados).
Este fenômeno é observado em Brasília, que além de ser a capital brasileira é, para muitos, a capital do Mercosul, cuja liderança fala português.
O portunhol é idioma informal na capital federal, onde cada uma das diferentes entidades de governo é cercada por corpo diplomático, órgãos internacionais e jornalistas estrangeiros.
Parece estranho que não havendo língua mais parecida ao espanhol que o português (sobretudo o falado no Brasil), quem acabe dominando melhor o idioma são os chineses, os iranianos e os japoneses. Para os latinos e, especialmente os hispânicos, o português permaneceu um campo de obstáculos durante muito tempo. Os obstáculos são ‘‘vencidos’’ por este híbrido linguístico, fruto do empenho dos estrangeiros no domínio da língua portuguesa.
É o caso de um jornalista estrangeiro, que poucos dias depois de ter chegado a Brasília, contemplava, maravilhado, seu fácil entendimento de uma pergunta feita por um colega latino-americano a um ministro brasileiro, durante uma coletiva. Não demorou muito para que este percebesse que a pergunta, iniciada com duas impecáveis palavras em português, tinha sido continuada em um excelente e compreensível portunhol.
Por tudo Depois de alguns meses de terríveis esforços em prol de uma limpeza linguística que acaba não sendo conquistada, o latino recém-chegado percebe que o portunhol não é nenhuma barbaridade, mas uma realidade que se estende da sala de imprensa do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) aos corredores do Planalto (sede do Governo), passando pelos diferentes ministérios.
Enfim, na Brasília-Mercosul todo mundo fala o portunhol, de diplomatas a jornalistas, embora alguns ou quase todos dominem mais de um idioma, como o castelhano, o inglês e o francês.
O portunhol é uma realidade linguística que precisa ser aceita e que está incorporada ao Mercosul com tanto afinco quanto as mais acirradas questões comerciais. Não é raro ouvir ‘‘Ele fala muito bem portunhol’’ na passagem de um jornalista estrangeiro por um corredor do Itamaraty.
Seja como for, o portunhol tem encontrado prestígio até mesmo no presidente Fernando Henrique, que em menção ao jantar com o presidente Carlos Menem, declarou recentemente em Brasília: ‘‘Tentei falar espanhol em uma reunião com argentinos e todos entenderam perfeitamente o meu português’’.

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