O lixo é um problema ambiental mundial. O que fazer de todo resíduo considerado inútil gerado pelo ser humano? A artista plástica londrinense Olga Nardi não tem a solução para o problema e certamente não é esta a sua preocupação. Mas ela sabe muito bem o que fazer, pelo menos com parte do que é descartado pelas pessoas. Com humor, Olga transforma lixo em poesia.
Seu trabalho despertou a atenção de marchands do Rio de Janeiro e São Paulo, durante a 5ª Semana de Arte de Londrina, que compraram todas as obras expostas e outras que artista tinha apenas a fotografia. Olga esta expondo no 3º Reciclarte Brahma, em Curitiba. Trata-se de um evento nacional que nasceu no Rio de Janeiro e agora passa a ser realizado em outros Estados. O Reciclarte é voltado exclusivamente para artistas que trabalham com reciclados.
Olga participou da primeira edição do Reciclarte no Rio de Janeiro como convidada. Para a terceira edição ela se inscreveu e foi selecionada com cinco trabalhos. Quatro deles não estarão expostos porque o espaço não comporta as instalações necessárias. Apenas o ‘‘Vaso de Botões’’ poderá ser visto pelos visitantes.
Uma brincadeira com vasos de rosas. Esta é a essência do ‘‘Vaso de Botões’’, que contém diversas ‘‘rosas’’ constituídas por hastes de aço inox e botões de televisão colocadas dentro de um vaso de resina acrílica. O que chama a atenção no trabalho de Olga é a linguagem direta de fácil interpretação, sem cair na infantilidade. ‘‘Minhas obras podem ser interpretadas até pelas crianças’’, diz. ‘‘Elas olham o vaso de botões e riem.’’
Para conseguir esta comunicação, Olga não interfere na forma dos objetos que vai buscar no Lixão, em ferros-velhos. Se vai trabalhar com uma boneca velha, por exemplo, ela não tira um braço ou uma perna, apenas modifica a função do objeto. Ela mantém os objetos que encontra intactos, justamente para facilitar a interpretação. ‘‘Eu preciso dos objetos como são para que suas simbologias permaneçam, facilitando a interpretação’’, explica.
Para demonstrar que algo está tenso, prestes a explodir, por exemplo, Olga utiliza o pino de uma panela de pressão. A artista aproveita a simbologia original do objeto para transmitir sua mensagem. Estes objetos são os mais cotidianos possíveis: formas de bolo, tampas de panelas, caixa de ovo, de fósforo, bonecas velhas, botões de televisão. Sucatas do dia-a-dia.
Autodidata, em cinco anos de trabalho Olga percorreu alguns caminhos até encontrar a sua linguagem definitiva. Durante algum tempo transformava o lixo em utilitários, objetos funcionais. Hoje seu trabalho é voltado para objetos de arte com material reciclado.
Olga considera de extrema importância participar do Reciclarte porque é um evento que está dentro da sua área. Ela expõe junto com artistas do gabarito dos irmãos Campana, por exemplo. ‘‘O evento em Curitiba é muito importante porque é dentro da minha área. Reúne todo mundo que está trabalhando com lixo. Estou no meu habitat’’, explica.Divulgação‘‘Vaso de Botões’’, trabalho de Olga NardiÉrika Pelegrino

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