O humor como forma de resistência
Com a iminência de uma guerra na Síria, os cenários de horror vão ficando cada vez mais comuns, ainda mais com o advento dos modernos meios de comunicação que a todo momento nos bombardeiam com uma série de informações sobre as tragédias. No espetáculo "1325", do Peripécia Teatro, de Portugal, o tema também vem à tona, mas desta vez o foco são as mulheres e o seu papel na construção e manutenção da paz. A peça faz referência à resolução "1325", do Conselho de Segurança das Nações Unidades, de 2001, que coloca as mulheres dentro desta perspectiva.
"Infelizmente, o assunto serve para qualquer ocasião, já que as guerras são tão antigas e cada vez mais atuais. E com a paz tão distante", afirmam os atores Noelia Domínguez e Sérgio Agostinho, que junto com Ángel Fragua apresentam "1325" hoje e amanhã, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo. Os ingressos estão esgotados. A montagem, que estreou em Portugal no ano passado, já foi vista em Curitiba e São Paulo, além de Buenos Aires e Espanha. A cocriação, dramaturgia e direção é de José Carlos Garcia.
Foi a partir da leitura do livro "1325 Mujeres Tejiendo la Paz", obra coletiva editada pela Fundación Cultura de Paz, de Madri (disponível em www.1325mujeres
tejiendolapaz.org), que os atores decidiram levar aos palcos parte das histórias reais de vida de 60 mulheres, de várias culturas, retratadas na obra. "São mulheres batalhadoras, líderes, que relatam seu trabalho pela paz. Há desde as Avós da Praça de Maio até uma assistente social que salvou 2.500 crianças durante o Nazismo na Polônia", adiantam os atores. Caracterizado pela valorização do humor em sua dramaturgia, o grupo em atividade desde 2004 - se viu desafiado a falar de um assunto tão pesado sem perder a sua linha de trabalho. "Pode parecer contraditório, mas o humor deixa ainda mais trágica a situação, mais próxima de nós", observa a atriz Noelia.
Na montagem, uma grande quantidade de roupas são quase uma personagem à parte e servem para "ilustrar visualmente" as mais diferentes situações abordadas. "As roupas remetem a vários significados e têm uma simbologia forte na questão da memória afetiva das pessoas, principalmente com relação ao feminino", cita Noelia, lembrando que aqui no Brasil a cenografia não irá contar com o total de 1.325 peças de roupas devido à dificuldade de transporte do material. "A maior parte são roupas usadas, inclusive de pessoas que morreram, e todas têm uma história para contar", citam. (A.P.N.)





