Campo de concentração na Polônia: visão assombrosa da maldade humanaNa pavorosa vastidão dos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, a alma só pode pronunciar aquela palavra que Joseph Conrad, um polonês desterrado, colocou na boca de seu personagem Kurz, em ‘‘O Coração das Trevas’’: ‘‘O horror! O horror!’’
As imagens mais impressionantes da Polônia, sem dúvida, estão ali. Numa curta viagem pela área mais populosa e industrializada do país, a Silésia, entende-se por que os nazistas decidiram construir naquele lugar Auschwitz, o mais conhecido dos campos de concentração do Terceiro Reich. Em 1939, a cidade de Oswiecim, hoje com 48 mil habitantes, era um entroncamento de linhas ferroviárias que ligavam a região a vários países da Europa. A facilidade de acesso foi decisiva para a instalação de Auschwitz, o descampado que a partir de 1940 foi sendo ocupado por cada vez mais barracões. Inicialmente foi construído para abrigar e exterminar presos políticos poloneses. Aos poucos, os nazistas começaram a deportar para o campo soviéticos, checos, iugoslavos, franceses, austríacos e ciganos. Começava a matança.
Em 1941, os nazistas construíram uma extensão a três quilômetros de Auschwitz, chamada Auschwitz 2, ou Birkenau. Foi nesse campo que se instalou a maior e mais desumana fábrica de extermínio de que se tem notícia: são quatro imensos crematórios e vários galpões equipados com câmeras de gás. Embora os nazistas tenham procurado apagar as evidências de seus crimes, as ruínas não deixam dúvidas sobre as monstruosidades cometidas ali.
Em Auschwitz e Birkenau, as visões são assombrosas. Todo o processo de aniquilação está minuciosamente documentado em livros, fotos e objetos das pessoas assassinadas. A sala onde estão guardados os sapatos e os cabelos das vítimas ( acredita-se que os cabelos eram utilizados na confecção de colchões e travesseiros) sintetiza o limite da perversidade e da brutalidade a que o ser humano pode chegar.

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