A indústria cinematográfica da reciclagem continua mais florescente que nunca. Cada semana o mercado conhece um nova refilmagem de um título que, de uma maneira ou de outra, deixou alguma referência na história do cinema. Às vezes pode ser um cult, um objeto de adoração cinéfila seja por esta ou aquela razão. Não raro até por seus ''defeitos'', por algumas pequenas coisas que acabam justificando um discreto charme da coisa assim meio trash.
Eis aqui então, nesta última categoria, o remake de ''Museu de Cera'', uma espécie de semi-clássico que o diretor André de Toth realizou em 1953, e que passaria aos anais ilustres da cinematografia por ter sido o primeiro filme em 3D (terceira dimensão, com direito a óculos bicolores e tudo mais) e som estereofônico, e também pelo segundo papel de Charles Bronson, ainda Charles Buchinski.
''House of Wax'', a refilmagem, também foi rebatizado para ''Casa de Cera'', aliás a tradução literal. A história coloca um bando de jovens ordinariamente insignificantes nos limites sem saída de uma cidadezinha onde impera a vontade e a maldade de dois irmãos assassinos, ex-xifópagos separados na infância. O local é inteiramente controlado pela dupla psicopata. E seus habitantes, olhando mais de perto, são estátuas de cera, ou melhor, cadáveres envoltos em parafina, vestidos e colocados aqui e ali em poses corriqueiras, para fazer de conta que são pessoas de carne e osso. Mas dois dos heróis ameaçados conseguem escapar e avisar a polícia.
Previsivelmente os produtores entregaram a direção a um jovem arrivista desconhecido que cumpriu às mil maravilhas o estágio probatório do clipe publicirário. Um qualquer que sabe manejar a parafernália tecnológica. Um certo Jaume Serra, catalão de origem, cheio de energia em busca do lugar ao sol em Hollywood, alguém que espera ir muito longe um dia. Previsível também a utilização de opulentas jovens aspirantes a atrizes, e barulhentos e espertos jovens aspirantes a atores. Todos dispostos a mortes atrozes para entrar na fila das celebridades. Atenção: Paris Hilton, a herdeira, está no elenco.
Está tudo em seus lugares. A estupidez dos diálogos. A extrema debilidade do roteiro. A violência grossa e gratuita, cruel e visualmente explícita, com os excessos de brutalidade e efusões sanguinolentas. O espetáculo é, como de hábito, débil e pueril. E não chega nem discretamente a render homenagem ao clássico em que diz se inspirar (um dos algozes se chama Vincent, seria esta a honraria, a referência ao grande Vincent Price?).(C.E.L.J.)

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