São Paulo, 29 (AE) - Há um fenômeno chamado Terrence Malick no cinema americano. Dois filmes estabeleceram sua reputação como um dos grandes talentos independentes de Hollywood: "Terra de Ninguém"" e Cinzas do Paraíso". "Além da Linha Vermelha" veio confirmar a importância do artista. O filme foi indicado para o Oscar deste ano. Perdeu, mas só a indicação teve valor de reconhecimento para o cineasta que permaneceu afastado das telas por 20 anos.
"Além da Linha Vermelha" já está nas locadoras. Tente compará-lo com "O Resgate do Soldado Ryan", de Steven Spielberg, que também está disponível em vídeo. Dois filmes sobre a 2.ª Guerra, um sobre o Dia D (o de Spielberg) e outro sobre a campanha do Pacífico (o de Malick). O segundo, até nas imperfeições, é melhor - menos demagógico e sentimental. Malick reabre a vertente de Francis Ford Coppola em "Apocalipse Now". Discute o horror da guerra por meio de um filme que também é uma indagação existencial sobre o destino trágico do homem. Seus personagens não são heróis. Ele não coloca o foco no indivíduo, filma o coletivo, homens em conflito.
Não é um filme perfeito. Sua narrativa é desequilibrada, mas possui alguns dos momentos mais brilhantes do cinema nos últimos anos. É um filme de intensa beleza visual, para ser visto na tela grande do cinema. Em vídeo, com a tecla rewind, o espectador pode, em contrapartida, rever quantas vezes quiser cenas como a do ataque à aldeia japonesa. (L.C.M.) Serviço - "Além da Linha Vermelha" (The Red Thin Line). EUA, 1998. Direção de Terrence Malick.Abril Vídeo. 150 min

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