A vida, se não é um livro aberto, pode render páginas de lembranças marcadas pela afetividade. Dentro dessa linha situa-se o livro ‘‘O Horizonte e o Rio’’, de Fernando Dalmo Borges, que será lançado hoje, às 19 horas, na Associação Médica do Paraná.
Ali estão episódios da infância vivida em Araxá (Minas Gerais), nos anos 40; histórias que correram de boca em boca, divertindo gerações; impressões que passavam pelo olhar e pelas emoções do menino - como o rio tão gigantesco como o Amazonas, e que hoje é visto pelo adulto dentro de dimensões reduzidas. São 80 crônicas numa viagem pelo tempo.
‘‘A crônica aviva a memória, tem muito a ver com o testemunho do passado. Principalmente neste tipo de trabalho que relata uma época boa que a gente viveu. A infância e a adolescência são imemoráveis’’, diz o autor.
As lembranças renderam 80 crônicas que estão divididas em duas partes do livro: a primeira voltada à infância e o início da adolescência, em Araxá; a segunda parte retrocede no tempo e traz cenas da Fazenda Santa Fé, perto de Sacramento. Uns poucos quilômetros separam as localidades, mas para os personagens que transitam no livro cada local era um universo distinto.
Fernando Dalmo Borges é médico especializado em Ortopedia e Traumatologia. No prefácio de ‘‘O Horizonte e o Rio’’ ele afirma não ser escritor, mas tão -somente ‘‘um ‘contador de histórias’ que decidiu registrá-las para que não viessem a se perder’’.
O gosto literário, porém, é um traço marcante na família. Pelo menos três escritores podem ser localizados, na rede de tios e primos, como o jornalista Hugo Almeida, de São Paulo. Aliás, foi após ter lido o livro de memórias de uma tia, escrito antes dela ingressar no convento, que Fernando Borges começou a atinar com a idéia de colocar no papel suas histórias.
Foi há dois anos que isso aconteceu, e os textos vieram de forma compulsiva. Três meses, no máximo, ele levou para produzir as 80 crônicas acondicionadas no livro de 300 páginas. ‘‘As histórias fluiam; não tive dificuldade em escrevê-las’’.
Depois desta experiência - a edição foi paga pelo autor -, outros títulos devem vir futuramente, voltado ao público infantil. Borges tem nove livros inéditos para a garotada, que são frutos das histórias que contava aos filhos quando pequenos. Interesse maior está nos três últimos títulos, que abordam a ecologia.
Para Fernando Dalmo Borges sina de mineiro não é a literatura. É a política. Mas ele tomou o caminho da Medicina - ‘‘é a minha vida, tenho por ela dedicação integral’’. Escrever é um gosto quase natural daqueles que lêm muito, acredita. No momento está lendo ‘‘Testemunho Político’’, de Carlos Castelo Branco, depois de ter concluído ‘‘Quase Memória’’, de Carlos Heitor Cony, e outro que relata a história da Medicina, ‘‘Século dos Cirurgiões’’.
‘‘O Horizonte e o Rio’’ é ‘‘um filho que nasceu. Vê-lo é muito compensador’’, diz Borges. Além do lançamento em Curitiba, terá noites de autógrafos em Araxá. ‘‘Acho que ele tem a cara de Minas’’, confidencia o autor, como quem busca na criança os traços de suas origens.ReproduçãoO livro de Fernando Dalmo Borges conta boas histórias do passado, reunidas em 80 crônicas, que falam da infância e adolescênciaZeca Corrêa Leite

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