Paulo Marra/DivulgaçãoDavid Bowie: show é cheio de temas futuristas e espaciais, mas tem também velhos sucessosOs quarentões que começaram a curtir música no final dos anos sessentas e começo dos setentas podem até repetir aquele chavão: ‘‘parece que foi ontem’’. Mas já faz 30 anos que o camaleão David Bowie lançou seu primeiro disco. Hoje, ele, que já passou da casa dos 50, comanda o Close Up Planet, em Curitiba. Preparando o clima, estarão se revezando no palco da Pedreira Paulo Leminski, pela ordem, Erasure, Rita Lee e No Doubt.
David Robert Jones é o nome do homem que caiu em Curitiba trazendo seu show mais recente, que mostra as músicas do disco ‘‘Earthling’’. Nesta fase da carreira, flerta com o jungle, o trip hop e o drum’n’bass, que faz a cabeça e os corpos dos festeiros eletrônicos em todo o mundo. A eletrônica está bastante presente neste novo trabalho. Afinal, o single ‘‘Telling Lies’’, foi lançado exclusivamente pela Internet, no site oficial do músico.
O som techno também não é de hoje que acompanha Bowie - vide as antigas parcerias com Brian Eno e o disco The Outsider - e ele vem se atualizando com as novidades. Músicos próximos do cantor dizem que ele realmente acompanha os lançamentos nesta área e é fã da produção do selo nova-iorquino Liquid Sky Music. Daí que o CD ‘‘Earthling’’ está bem próximo do drum’n’bass, que pode ser mais divulgado no Brasil com Goldie, no Free Jazz.
O próprio Goldie criticou essa tentativa de aproximação de Bowie do drum’n’bass dizendo que o cantor faria melhor se interpretasse baladas. Mas não deixou de escrever uma música para o próximo disco do autor de ‘‘Rock an Roll Suicide’’, que deverá levar o nome de ‘‘Saturn Return’’.
O ShowO show é cheio de temas futuristas e espaciais, que sempre estiveram presentes na longa carreira do artista - a BBC usou a música ‘‘Space Odity’’ como trilha sonora da transmissão da chegada do homem à Lua, em 1969; no tempo de Ziggy Stardust, o nome de sua banda era Spiders from Mars. O espetáculo traz uma banda de acompanhamento formada por bateria, baixo (aliás, a baixista Gail Ann Dorsey, que também canta), guitarra e teclados. Bowie ainda toca violão em algumas passagens.
Mas a ‘‘Earthling tour’’, para a alegria dos fãs mais antigos - como comprovam os que já assistiram a algumas versões dos espetáculos - traz também algumas músicas antigas, como ‘‘Fame’’, ‘‘Jean Genie’’ e ‘Scary Monsters’’, entre outras. Só que, como é comum na carreira do camaleão, recebendo arranjos novos, o que pode atrapalhar aqueles que gostariam de cantarolar as velhas canções do jeito que elas apareceram em disco.
David Bowie já esteve no Brasil antes, há sete anos, com a turnê de ‘‘Sound + Vision’’ e a simpatia que passa no palco nem sempre repete-se quando ele é assediado pelos jornalistas e fãs. Já faz mais de uma semana que ele chegou ao Brasil, para curtir alguns dias de férias no Rio de Janeiro. Só falou com a imprensa brevemente na quarta-feira, também no Rio, e deixou bem claro à produção do Close Up Planet que não queria nenhum contato com jornalistas em Curitiba. Para evitar o assédio chegou a mudar várias vezes o horário de chegada à cidade.
Mas que importa isso para os fãs novos e antigos? E quem diria, naqueles longínquos anos 70s, que um dia ‘‘o homem que caiu na terra’’ - nome do filme, de 1976, em que ele representava um alienígena em busca de água - cantaria em Curitiba?

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