Walter Salles Jr. é o cineasta responsável pelo filme de maior sucesso na história do cinema brasileiro - ‘‘Central do Brasil’’, que teve sua premier mundial em janeiro de 98, no Festival Sundance. Na época, o filme foi apontado como o primeiro longa brasileiro com vocação para ser sucesso internacional desde ‘‘Pixote’’.
O jovem cineasta rodou seu primeiro longa há exatos dez anos. Hoje, aos 41 anos, tem três longas no currículo, diversos documentários e séries para televisão. O primeiro longa foi ‘‘A Grande Arte’’ (1989), uma produção internacional com Peter Coyote; o segundo - ‘‘Terra Estrangeira’’ (1995) e o terceiro - ‘‘Central do Brasil’’. Para o futuro, Salles, dono da produtora VideoFilmes, pretende produzir dois longas - ‘‘Guerra e Liberdade’’ e ‘‘Lavoura Arcaica’’.
Também estão em desenvolvimento na produtora mais dois projetos: um do Murilo Salles, a adaptação do livro ‘‘O Silêncio da Chuva’’; e um da Elisa Tolomelli, produtora executiva do ‘‘Central’’, que um jovem diretor de São Paulo, Fernando Meireles, deve fazer no fim deste ano.
E não é só. Walter Salles Jr. pretende ainda retomar alguns projetos que foram acordados com Arthur Cohn, um dos produtores do ‘‘Central’’, que produziu os cinco últimos filmes do De Sicca. ‘‘Temos um acordo de realização de dois filmes. Quero muito que um deles seja o roteiro que o Millôr Fernandes escreveu há um tempo, realmente estupendo, que tem o título provisório de ‘Últimos Diálogos’. É um filme para a Fernanda (Montenegro), sobre uma mulher que retorna ao Brasil depois de 30 anos e o redescobre ao mesmo tempo que acerta contas com o passado e a família’’, revela.
Poucos sabem, mas a personagem Socorro Nobre, a ex-presidiária que abre o filme ‘‘Central do Brasil’’, já existia. Ela nasceu antes, num curta documental batizado com seu nome, que Salles filmou em 1995, e segundo ele foi o ponto de partida para seu longa, que agora concorre ao Oscar. ‘‘Socorro Nobre’’ conquistou diversos prêmios internacionais e conta a história por meio das cartas entre Socorro, que estava presa na Bahia, e o artista plástico Frans Krajcberg.
‘‘Depois de Socorro Nobre, ‘Terra Estrangeira’ e em ‘Central do Brasil’, eu me sinto mais próximo daquilo que eu quero realmente contar. A grande questão é saber exatamente que temas são, na verdade, o espelho de um questionamento interior seu, que você quer desenvolver de forma visceral’’, diz o cineasta.
Ele frisa também que ‘‘Central do Brasil’’ foi feito para Fernanda Montenegro. ‘‘Existe por ela e para ela. Ele faz homenagem a três mulheres e existe por causa delas: a Fernanda, que disparou esse processo todo, a Marília Pêra, que muito generosamente aceitou fazer um papel pequeno, e a Socorro Nobre, sem a qual o filme também não existiria.’’

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