O HOMEM DAS ALEGORIAS
Antônio Mariano Júnior
De Londrina
Tem 54 anos de idade. E desde que se entende por gente, Gilberto Savério Iervolino sempre esteve envolvido com as artes plásticas. Porém, ele é mais requisitado como escultor. E escultor de Carnaval, apesar de não gostar muito do termo. Sabe aquelas figuras imensas fincadas sobre os carros alegóricos e que enchem os olhos de quem as vê? Então, é isso o que Savério faz há 20 anos, dos quais os seis últimos anos dedicados exclusivamente à escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense.
O artista plástico está em Londrina ministrando a Oficina de Escultura de Carnaval que acontece até amanhã, no Centro Cultural Igapó. Ao todo, 13 alunos estão aprendendo a técnica de Savério. Que consiste, em breves palavras, em moldar figuras em imensos blocos de isopor dando a impressão de serem pesadíssimas esculturas.
É um trabalho que exige criatividade, paciência e, principalmente, técnica. Cada um dos alunos da oficina, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura, irá fazer sua própria obra. Porém, coletivamente vão juntar forças para entregar pelo menos dois trabalhos de peso (no sentido artístico) um Zumbi dos Palmares (com mais de três metros) e uma proa de navio com direito a figura de um índio cercado de vários animais.
Tudo isso e mais um pouco vai sair de blocos de isopor cuja medida padrão é três metros de altura, por um metro de largura e 50 centímetros de espessura que, depois de cortados e colados com cola à base de poliuretano vão passar pelo segundo processo: o de revestimento.
Nessa etapa, as obras são empasteladas (ou recobertas) com papel craft e cola de farinha de trigo. Além de resistente o trabalho fica com uma textura de couro, explica Savério. O passo final é a pintura que tem que ser feita com tinta à base de água. Por que o isopor? Simples: porque é barato (em relação a outros materiais), dá um volume e não precisa de nenhum suporte para sustentá-lo (ferros).
Em outras palavras, eis um dos grandes segredos do impacto visual que as escolas de samba provocam na chamada passarela do samba. Agora, se tem uma coisa que Gilberto Savério não gosta é de fazer esculturas pequenas. Tem muitos detalhes e são mais trabalhosas. Por isso, quanto mais gigante mais fácil é de executar diz.
De acordo com ele, para se fazer as esculturas de um Carnaval da Imperatriz Leopoldinense são utilizados cerca de 120 blocos de isopor (cada um custa em torno de R$ 130). O tempo de trabalho é de pelo menos dois meses. Um detalhe: para a agremiação carioca, o trabalho de Savério é apenas o de fazer as esculturas e entregá-las lixadas à direção. Revestimento e pintura ficam a cargo de outra equipe.
E mesmo assim para dar conta do trabalho, ele e mais dois ajudantes chegam a trabalhar diariamente 10 horas seguidas. Ah, sim, o bom humor não pode despencar senão o ambiente, segundo o artista plástico, fica inabitável. O trabalho em Carnaval é estressante além de se trabalhar em locais insalubres. E para enfrentar tudo isso tem que ser moleque e não perder o humor ensina.
Sim, a contrapartida financeira é compensatória. Já foi melhor, como explica, mas ainda compensa. Já se ganhou melhor, mas isso aos poucos vem sendo reduzido gradativamente. Um dos motivos é a derrubada (NR: referência à malha fina e prisão de bicheiros) dos banqueiros e quem sai perdendo é o Carnaval analisa. Cifras, no entanto, ele não revela.
Requisitado, Savério é sem dúvida. Seu nome é bem cotado na bolsa de escultores de Carnaval. Se se considera o melhor? Bem, a modéstia fala mais alto. Eu me considero um dos mais sérios. De todos, sou considerado o mais rápido. Mas o que não sabem é que minha rapidez se deve ao fato de eu trabalhar ininterruptamente e, com isso, entregar os trabalhos em dia diz.Escultor oficial da escola Imperatriz Leopoldinense, o artista plástico Gilberto Savério está ministrando oficina em Londrina
Mario CesarGilberto Savério faz alegorias: figuras moldadas em isopor dão a impressão de serem esculturas pesadíssimasMário CesarO isopor é barato e dá volume





