São Paulo, 18 (AE) - A valorização da paixão entre Peri e Ceci é a tônica da montagem da ópera "O Guarani" que abre o 4.º Festival de àpera de Manaus, no fim do mês. O espetáculo dirigido por Iacov Hillel reúne um elenco composto, em sua maioria, por artistas nacionais, com destaque para a soprano Cláudia Riccitelli, para o tenor Eduardo Itaborahy e para o barítono Paulo Szot, alguns dos principais cantores líricos da nova geração.
Hillel, que reúne grande experiência em ópera, aponta o romance de Peri e Ceci como o ponto central da trama. "A história de amor é o fio condutor da obra, assim como do romance de José de Alencar", explica o diretor, que procurou não utilizar a ópera como um instrumento de afirmação social. "Não haveria por que utilizar a ópera como base para uma análise sobre a situação do índio no País, por exemplo, pois em nenhum momento a música de Carlos Gomes se propõe a isso".
Para o direitor, a ópera vive em um mundo à parte, no qual qualquer relação com a realidade pode parecer falsa. "O universo de O Guarani é o do romantismo europeu e nossa preocupação é retratar esse aspecto, e não fazer uma espécie de reportagem sobre a vida dos índios no Brasil". O diretor ressalta, no entanto, que a temática histórica está sempre presente. "O Guarani não foge da realidade histórica, mas enquanto romance, ultrapassa a realidade".
Montar O Guarani em meio à floresta amazônica exigiu da equipe de produção alguns cuidados. "Seria estranho, aqui no Amazonas, produzir uma floresta cênica de papel, por exemplo", observa Hillel. A alternativa foi a utilização de mapas inspirados nos desenhos do viajante alemão Hans Staden como base da cenografia, assinada por Renato Theobaldo, responsável pelo trabaalho cenográfico de "La Serva Padrona", adaptação da cineasta Carla Camuratti da ópera de Pergolesi. Festival - Serão quatro apresentações de "O Guarani" em Manaus. A primeira, que abre o festival no dia 23, ocorrerá ao ar livre no Sambódromo, em versão de concerto e com entrada franca. Já nos dias 25, 26 e 27, o Teatro Amazonas será o palco para a montagem, que reúne um elenco de quase 150 pessoas. "É muito trabalho, o que exige uma dedicação integral, mas a oportunidade de, pela primeira vez, produzir a versão integral da ópera supera qualquer dificuldade".
Em sua quarta edição, o Festival de àpera de Manaus consolida-se como único evento do gênero na América Latina. Para este ano, também estão programadas produções de "Eugene Oneguin", de Tchaikovski, e "As Bodas de Fígaro", de Mozart. (J.L.S.)

mockup