O grupo TAMTAM faz uma espécie de leitura artística da loucura
... teatro pode ser praticado na solidão de um elevador, em frente a um espelho, no Maracanã ou em praça pública para milhares de espectadores. Em qualquer lugar... até mesmo dentro dos teatros. A frase de Augusto Boal retrata sua idéia de quebrar tradições do teatro com o objetivo de aproximá-lo do povo, pelo qual e para o qual ele é feito. Um representante do Centro do Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro estará em Londrina para apresentar o Teatro Legislativo, uma teoria desenvolvida por Boal quando ele era vereador na capital carioca.
Na época, o teatrólogo organizou grupos de mulheres, representantes da terceira idade e negros, que realizavam encenações para detectar necessidades da comunidade. A partir das sugestões, algumas leis foram criadas e aprovadas na Câmara Municipal.
Outra experiência do Rio de Janeiro é o Nós do Morro. Criado em 1986 pelo diretor Gute Fraga, o projeto começou reunindo jovens do Morro do Vidigal, que montaram um grupo de teatro caracterizado por encenar trabalhos da dramaturgia clássica aliados à pesquisa da linguagem local. Em 96, o Nós do Morro ganhou o Prêmio Shell na categoria Grupo ou Movimento e uma indicação para o Prêmio MoliSre.
O representante da cidade de Marília (SP) é o Sesi, cujo Núcleo de Artes Cênicas foi criado há seis anos para atender à comunidade. Esse grupo desenvolve um trabalho de arte-educação, no qual as artes cênicas são utilizadas para produção de espetáculos que abordam temas relacionados à realidade de grupos específicos.
Firmado há 21 anos, o projeto Monte Azul, de São Paulo, vai apresentar a experiência desenvolvida em três bairros periféricos da capital paulista (A Favela do Cidadão). O projeto foi iniciado pela alemã Ute Craemer e possibilitou saúde, educação, lazer e cultura - gratuitamente - aos cidadãos da comunidade. Além disso, o projeto também ganhou, há quatro anos, o Grupo de Teatro Monte Azul-Núcleo II.
O trabalho das paulistas Conceição Acioli e Marta Baião, diretoras da Cia. Arte e Vida e Mal-Amadas e da Atrevidas e Abusadas Cia. de Teatro, é a realidade de adolescentes do ABC paulista e de mulheres que sofreram vários tipos de violência, trabalhada em forma de linguagem cênica.
A cidade de Santos terá dois representantes no encontro de Londrina. Um deles, o TAMTAM, foi criado em 1989, dentro da Casa de Saúde Anchieta (um hospício com 50 anos de existência que mantinha 700 pacientes internados). O grupo, coordenado pelo professor Renato di Renzo, criou uma espécie de leitura artística da loucura.
O outro projeto santista trabalha diretamente com a população de rua e portadores de deficiências físicas e auditivas. A base do trabalho do Grupo Orgone - que há 12 anos mantém pesquisas de diferentes manifestações sócio-culturais - é o estudo da relação entre a arte e a sociedade.
Os seis trabalhos londrinenses que serão apresentados no 3º Encontro de Projetos Cênicos são desenvolvidos em diferentes segmentos da comunidade. Realizados muitas vezes sem patrocínio ou divulgação, estes projetos têm se estruturado da melhorforma possível, obtendo resultados de grande interesse social e cultural.
A Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon) é uma entidade que trabalha com jovens que vivem nas ruas, oferecendo cursos profissionalizantes na Escola Oficina da Zona Norte. Desse segmento nasceu um projeto que alia a linguagem cênica ao trabalho manual: utilizando as experiências que os jovens adquiriram nos cursos de corte e costura, marcenaria ou cabeleireiro, surgiu a idéia de montar um desfile de modas.
O Grupo de Theatro da Terceira Idade do Sesc, projeto coordenado por João Henrique Bernardi, vai apresentar um trabalho semelhante. Pó de Estrelas também é um desfile de modas - cuja temática são os 100 anos do cinema - só que realizado por 23 mulheres com idade entre 54 e 85 anos. A idéia do projeto é a reintegração das pessoas da terceira idade na sociedade. Todos os figurinos foram confeccionados por Jandira Alcides Testa, que também integra o grupo e vai entrar na passarela vestindo um modelo de Grace Kelly.
Atuando num outro segmento da sociedade, o Projeto Plantão Sorriso é um grupo de teatro que desde 1996 realiza um trabalho de humanização hospitalar. Os atores/palhaços percorrem hospitais da cidade, onde cantam, dançam e fazem brincadeiras para alegrar as crianças internadas.
Também criado em 1996, o projeto Cometa Alegria realiza um trabalho com a comunidade do Distrito Espírito Santo. Coordenado pela psicóloga Maria Amélia Melo, o Cometa Alegria vai apresentar no encontro deste ano o espetáculo De Cabo a Rabo (dia 2, às 10h30). Para as crianças e jovens que participam do projeto, o teatro tem significado todo um poder de transformação.
Na área educacional, o projeto Sensibilização, Educação, Trabalho e Atualização vem desenvolvendo um novo currículo que utiliza como base a expressão da criança. E esse torna-se o elo de comunicação com as áreas de conhecimento. Assim, sucatas se transformam em realidade para os alunos e a realidade se transforma em relação ao pensamento. Uma linguagem que a coordenadora Mira Roxo chama de transdisciplinariedade.
O G.T.P.A.E. é também um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Desenvolvido desde 1997, o projeto utiliza a linguagem cênica para buscar o desenvolvimento pessoal dos portadores de deficiências especiais e conscientizar a sociedade da sua capacidade, além dos sentimentos e limitações - comuns a todos os seres humanos.





