O grande "Sem Destino" agora em DVD
São Paulo, 27 (AE) - Boa parte dos filmes produzidos permanecem enquanto dura a badalação em torno deles. Depois, desaparecem do mapa e caem no justo olvido. Não valem o celulóide em que são impressos. Outros ficam. São os que significam alguma coisa, como é o caso de "Sem Destino", de Dennis Hopper, que marcou toda uma geração e revive, com força, a cada vez que bate na tela ou no vídeo.
A história dos dois motoqueiros que atravessam a América
interpretados pelo próprio Hopper e por Peter Fonda, assinalou também um momento importante na história do cinema norte-americano. Parecia que, com filmes como esse, e "Perdidos na Noite", que saía no mesmo ano, o cinema comercial poderia voltar à sua fase adulta, aquela que vivera nos anos 40 e parte dos 50. Esse sonho foi sepultado na década seguinte, quando os arrasa-quarteirões de Spielberg e Lucas relegaram os filmes destinados a um público maduro (não necessariamente mais velho) à condição de exceções.
Vivia-se em plena era hippie. Paz e amor. Rock e muita droga. Fonda e Hopper saem com suas motos para conhecer o país. Vão, pelo meio do caminho, descobrindo algumas coisas que não suspeitavam. Ou seja, o profundo conservadorismo do interior. Achavam que o mundo vivia em convulsão. Encontram uma realidade petrificada, imutável, dura. E, sobretudo, hostil com tudo aquilo que não se parece com ela. Os dois cabeludos eram os estranhos nessa América que pensavam lhes pertencer. Tornam-se vítimas desse engano fundamental.
O filme, em especial no seu fim, tem uma certa beleza trágica. Não que a "mensagem" de "Sem Destino" seja das mais positivas. Num momento em que os protestos estudantis alvoroçavam as universidades, dois pirados percorriam o país em busca de sexo, drogas & rock-n-roll. Transportavam cocaína, o que, para alguns exegetas da obra, apresentou essa droga de maneira formal à sociedade. Dois alienados. De qualquer forma, promoviam o encontro do espectador com uma América real e não aquela em geral idealizada pela indústria de Hollywood.
Além da trilha sonora, tida como espetacular, o filme ainda apresenta o mérito de lançar um novato, Jack Nicholson, no papel de um advogado alcoólatra que se junta à dupla. Não é pouca coisa. (L.Z.O.) Serviço - "Sem Destino". EUA, 1969. Dir. de Dennis Hopper, com Peter Fonda. Columbia Pictures





