Nitis Jacon é a nova diretora do Centro Cultural Teatro Guaíra. Ela foi convidada no último dia 30 para ocupar o cargo. Conhecida nacionalmente por suas atividades culturais e, principalmente, pelo seu desempenho no Filo (Festival Internacional de Londrina), da qual é diretora geral, Nitis possui um extenso currículo. Ela é médica formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com título de especialização em psiquiatria. Nitis é diretora-clínica da Casa de Saúde de Rolândia.
Nitis possui destaque de atuação na área cultural. É membro fundador da Rede de promotores Culturais da América Latina e do Caribe, membro fundador e atual presidente da Rede Cultural do Mercosul, membro fundador e integrante da Junta Diretiva da Rede Internacional pela Diversidade Cultural (Internacional Netwok for Cultural Diversity - INCD).
Autora do Projeto Corredores Geográfico-Culturais do Mercosul, Chile e Bolívia, participante em 2002 da I Reunião de Cúpula dos Ministros de Cultura dos Estados Americanos organizada pela OEA e pelo Ministério da Cultura de Colômbia, em Cartagena de Índias. Antes de se mudar para Curitiba para tomar posse (a data ainda não estava definida até o dia em que esta entrevista foi realizada) ela conversou com a Folha2. A seguir os principais trechos da entrevista.
Você recebeu carta branca do governo estadual para desenvolver o trabalho à frente do Centro Cultural Teatro Guaíra?
Carta branca é relativo, porque dentro de um governo você tem que atender, justamente, a um projeto de governo. Mas eu consegui dele (governador Roberto Requião) a aprovação para aquilo que eu pretendo, que é o meu projeto dentro da política pública de cultura. Já venho trabalhando nele em tudo que eu faço, mas em um âmbito mais restrito. Requião me convidou no dia 30 de dezembro e, coincidentemente, o projeto dele para o Teatro Guaíra coincide muito com aquilo que eu já venho fazendo.
Em quais pontos o seu projeto cultural e a proposta do governo para a cultura se coincidem?
Na efetivação da estadualização do Centro Cultural Teatro Guaíra, que é um órgão estadual que tem entre seus objetivos o desenvolvimento artístico cultural do Estado, na ampliação do mercado de trabalho para os profissionais dessas áreas culturais e na formação e capacitação dos trabalhadores da cultura.
Explique melhor como será desenvolvido este trabalho?
Ação efetiva e contínua, sobretudo contínua, voltada para o estado como um todo. O Guaíra tem funcionado mais em nível municipal. Aqui faço uma observação: nos últimos anos têm havido ações voltadas para o interior do Estado, na tentativa justamente de ampliar a ação do Guaíra, mas eu penso que precisamos executar ações que sejam contínuas e de via dupla. Não apenas partindo de Curitiba para o interior, mas também de todo o Paraná para o estado.
Como o interior irá participar?
Tenho muitas idéias, mas não me precipitaria em propor isto antes de fazer uma reunião com a Coordenadoria de Ação Cultural da Secretaria. Mas posso adiantar algumas coisas: farei um permanente contato com as prefeituras do interior, sempre em ''mão dupla'', oportunizando além da circulação de espetáculos, a realização de ações formativas (oficinas, seminários debates exposições). O objetivo é formar gestores culturais e, ao mesmo tempo, capacitar os trabalhadores de cultura em todas as situações (diretores,artistas, criadores e produtores). As ações também serão voltadas para capacitação para ingresso no mercado de trabalho que poderá ser mais localizado. Queremos que se crie um mercado de trabalho sobretudo para interromper este círculo vicioso do teatro amador e do teatro profissional.
A meta é extrapolar as esferas municipais e estaduais e até mesmo nacionais?
Esta é outra vertente importante do trabalho no Guaíra, que coincide com a proposta de integração do governador. Na reunião da primeira cúpula dos Ministros de Cultura dos estados americanos discutiu-se a importância da cultura no desenvolvimento, e não apenas dos aspectos políticos e econômicos.
Essa proposta é muito abrangente, mas de imediato se volta para o Mercosul. É uma preocupação do governador de que nós façamos essa integração cultural com os países do Mercosul (os quatro países membros e os dois associados que são Chile e Bolívia), passando pela malha dos povos e não apenas das questões comercial e política.
E quanto ao regente titular da Orquestra Sinfônica do Paraná, Alessandro Sangiorgi e a diretora do Balé Guaíra, Suzana Braga? Você já sabe se eles continuam nos cargos?
É uma questão que eu apenas abordei tangencialmente até agora porque eu só estive em Curitiba na semana passada. O Centro Cultural tem um patrimônio não só físico, mas humano e artístico que não pode ser absolutamente desconsiderado. Houve aditamento do contrato dos funcionários temporários do corpo de baile e da orquestra por três meses, para o período de transição. Alguns destes contratos estão aguardando uma discussão mais cautelosa, de uma forma absolutamente criteriosa pelo valor dessas pessoas e tudo que agregaram na cultura paranaense.
E os salários atrasados?
Ao que me consta não há pendências quanto a funcionários, todos foram pagos o que fica é aquilo que começa a partir desse ano, então eu não poderia me antecipar em apresentar soluções para isso. O que posso dizer é que há uma preocupação em resolver isto o mais rápido possível até para que possamos já no final do mês de janeiro apresentar para o conselho de administração da fundação um planejamento que terá que ter previsto estas situações.
Qual é o orçamento?
Eu ainda não sei. Mas temos que considerar o que o Brasil inteiro está vendo. Nós temos que racionalizar o recurso, para atender a Lei da Responsabilidade Fiscal. Nós também sondaremos outras fontes para captar recursos para os nossos projetos.
Que fontes são essas?
Seria muito precoce, temos que avaliar com cuidado estas fontes tanto nacionais quanto internacionais que poderão ser abordadas, buscar estes caminhos apresentar os nossos projetos, essa integração que se propõe entre as secretarias entre os órgãos estaduais, municipais e federais e internacionais, inclusive regionais do Mercosul. Apresentado projetos desse nível eu acredito que agente conseguirá sensiblizar as secretarias no sentido da ação conjunta.
Como fica o Filo com sua ida para Curitiba?
O Filo vai ficar muito bem. Minha expectativa é de que eu passar ajudar mais todos os festivais e os eventos importantes do Estado, inclusive o Filo. A edição de 2003 do Filo já está pronta. A nossa pequena equipe é uma equipe valiosa, que está assumindo isso de uma forma extraordinária.
Você se vê no cargo de secretária da Cultura, futuramente?
Eu confesso para você que há alguns bons anos atrás eu tinha a ambição de poder atuar com todos os projetos, colocar meu trabalho a serviço de um espaço maior, ''mais grande'' como eu gosto de falar. Mas de certa forma eu comecei a atuar nisso, mais grande através das redes eu sou membro fundadora e era da junta diretiva da Rede Internacional pela Diversidade Cultural (INCD), fundada em 2000 na Grécia. Meu trabalho se ampliou através das redes, a rede de Promotores Culturais da América Latina e do Caribe, e a rede Cultural do Mercosul, assim os meus anseios se realizavam de outra forma.

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