Ninguém mais dá conta do hip hop brasileiro. Centralizado inicialmente nas grandes capitais, o movimento espalhou-se pelas periferias das pequenas e médias cidades. Se já era difícil acompanhar os passos de seus protagonistas, agora tornou-se uma aventura quase frustrante, tal a profusão de novos adeptos nas mais diversas regiões do país.
O livro ''Hip Hop A Periferia Grita'' (Edi. Fundação Perseu Abramo) tenta mapear o movimento a partir de São Paulo, berço das primeiras manifestações do gênero. Foi escrito por Janaína Rocha, Mirella Domenich e Patrícia Casseano. Nasceu originalmente como um trabalho de conclusão do curso de jornalismo, apresentado pelas três na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, na capital paulista, em 1999.
Mas em vez de blablablás teóricos de quem acha de sabe, o livro reúne reportagens transportando para as páginas os lugares e os personagens que participam da cena. As autoras visitaram praças, estações de metrô, bairros e presídios para colher depoimentos de rappers, DJs, grafiteiros, b-boys (dançarinos de break) e simpatizantes. Já na abertura, narram o dia-a-dia de uma garota chamada De Menor, moradora da zona leste paulistana, que tenta combinar suas baladas (festas) com as regras de conduta defendidas pela cultura em que foi formada.
No capítulo ''Produto Marginal'', são entrevistados nomes importantes do movimento como Mano Brown, Xis, Thaíde, DJ Hum, MV Bill, Gog, Mago Abelha, Ice Blue, Marcelo D2 e MC Ro$$i. Para investigar o fenômeno, as jornalistas não se limitaram a esquadrinhar os quarteirões familiares vasculhando também a região do ABCD, além de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza. Com 161 páginas, o livro é ilustrado com dezenas de fotos. Para quem se liga em hip hop, trata-se de uma aquisição obrigatória. (N.S.)

Hip Hop A Periferia Grita, de Janaina Rocha, Mirella Domenich e Patrícia Casseano. Editora Fundação Perseu Abramo. Telefone: (11) 5571-4299. E-mail: [email protected]. Preço: R$ 25,00

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