O gosto veio aos poucos
Certa vez, o psicólogo Wilian Peres encasquetou que queria fazer um bolo. Ingredientes havia. Mas faltava uma coisa que iria facilitar a sua vida: uma batedeira. Ah, ele não teve dúvidas: desceu, entrou numa loja de eletrodomésticos, comprou a tal batedeira e fez o bolo. No mesmo dia. Nem é preciso dizer que o psicólogo é um homem que adora cozinhar. Cozinha não tem sexo, não é uma questão de gênero. Cozinhar é uma oficina. A não ser que você queira entrar na repetição do livro Cozinha de Dona Benta- brinca ele.
As portas desse cômodo da casa, que para muitos não existe, se abriram de vez para Peres na época de estudante universitário em que a divisão de trabalho era uma lei a ser cumprida. E quando se tratava de ir para o fogão, uma das palavras de ordem era improvisação. E de tanto ir à luta, o psicológo acabou tomando gosto pela coisa e hoje cozinha que é uma beleza. Isso não é dom, é uma tendência - ensina.
Prazer de cozinhar realmente Peres tem. Agora, não peçam para ele fazer pouca comida. E também não rogue para que depois da lambança ele lave os utensílios. Isso fica por conta dos amigos que sempre se fazem presentes quando o psicológo resolve ir para a cozinha, principalmente aos domingos. Uma de suas especialidades: grão de bico com carne seca. Quem prova perde imediatamente a vergonha de repetir quantas vezes for preciso.
Foi assim que tudo começou. Os pais trabalhavam fora e os afazeres domésticos ficavam nas mãos de Agnaldo Pontara e seus irmãos. E a cozinha foi o cômodo da casa em que ele mais se adaptou. Do café da manhã, ele passou a fazer o almoço. Daí foi tomando gosto pela coisa ao ponto de hoje fazer maravilhas culinárias que deixam amigos e parentes com água na boca. O aperfeiçoamento aconteceu de maneira natural - experimentando daqui, ousando dali, recortando receitas de jornal ou pegando sugestões em programas de televisão. Eu gosto de cozinhar, sinto necessidade disso. Quando sinto vontade vou para a casa de um amigo e cozinho - diz ele.
A criatividade, como explica o vendedor Agnaldo Pontara, precisa estar sempre afiada. A comida pode ser aparentemente simples como uma salada de abóbora que pode ficar sofisticada se for bem feita e bem apresentada - ensina. Uma de suas especialidades, como explica, é o nhoque. Já chegaram a falar que é o melhor do mundo. O segredo está na massa, na mão - diz. Não é de hoje que o vendedor ouve conselhos para abrir um restaurante.
Mas falta um pequeno detalhe: capital. Enquanto esse pequeno detalhe não chega, Agnaldo vai pondo a mão na massa e provando que cozinha é lugar de homem, sim senhor. O homem tem mais inspiração e cuidado porque é uma área que tradicionalmente não é dele - diz ele. (A.M.J)





