O ex-presidente do Paraguai, Raúl Cubas, renunciou ao cargo no domingo, pediu asilo ao Brasil na segunda, e chegou a Santa Catarina na terça de madrugada, com esposa e filhas. Até aí, sem dúvida, uma notícia de política internacional. Mas na tarde de terça-feira, o sr. Cubas saiu a passear pelo Calçadão da avenida Central, em Camboriú, onde comprou livros e comida.
Com um guarda-chuva preto, para se proteger do mau tempo, o ex-presidente foi a uma livraria e comprou 7 livros, gastando 155 reais. Este detalhe, cultural, é que chamou a atenção. Afinal, o que leria o homem que governou (?!) o Paraguai nos últimos 8 meses, provocou uma confusão imensa, acabou renunciando meio na marra e, agora, inicia um período de exílio? Obras políticas, livros sobre economia, Maquiável, publicações esotéricas? Não, o sr. Cubas revelou, em sua passagem pela livraria, gosto bem diferente. Ele comprou ‘‘O Advogado’’, de John Grisham, ‘‘Invasão’’ e ‘‘Contágio’’, ambos de Robin Cook, ‘‘Os Caçadores’’, de Harold Robbins, ‘‘Ponto de Fuga’’, de Morris West e ‘‘Um Capricho dos Deuses’’ e ‘‘Conte-me seus sonhos’’, ambos de Sidney Sheldon.
Confesso que fiquei fascinado. Li quase todos estes livros. De alguns gostei muito, caso da obra de Grisham e dos livros de Robin Cook. Outros não me agradaram, notadamente o segundo de Sidney Sheldon, para mim um escritor em franca decadência. Isto sem falar em Harold Robbins, que já foi superado pelo tempo. De qualquer modo, gosto estranho para um ex-presidente. Fiquei pensando que, possivelmente, durante o período em que governou (?!) o Paraguai, o sr. Cubas não teve tempo para livros leves (e que muitos consideram escapistas), envolvido que estava na briga para manter seu amigo Oviedo fora da cadeia. Quanto ao mais, agora lhe sobra tempo e, certamente, os 7 livros serão úteis para matá-lo (ao tempo) enquanto tenta saber se escapa ou não das denúncias que o apontam como responsável por mortes no Paraguai.
Felizmente, para ele, não escolheu mistérios policiais. Talvez tenha lembrado que alguns comentaram que só Hercule Poirot (personagem de Agatha Christie) seria capaz de solucionar o assassinato de seu ‘‘companheiro’’ de chapa, o vice-presidente Luis Maria Arga¤a, crime que precipitou sua saída do cargo. E, também, há a considerar que, pelo menos, em sua busca por distração literária, o sr. Cubas não comprou livros do Paulo Coelho. O referido autor, como vocês talvez saibam, é um dos que se viu na biblioteca de outro ex-governante latino-americano, o ex-general Augusto Pinochet...

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