O Museu de Arte de São Paulo (Masp) expõe até o dia 9 de agosto cerca de 500 obras do catalão Salvador Dalí (1904-1989), um dos mestres do surrealismo. A mostra, que tem atraído visitantes de várias partes do País, revela o talento do artista como pintor, cenógrafo, gravurista, desenhista, designer e escultor. Já o lado desconhecido e inseguro do controvertido artista que fez dos bigodes retorcidos sua marca registrada e é tido como símbolo da arrogância moderna está exposto no livro ‘‘The Shameful Life of Salvador Dal풒 (‘‘A Vida Vergonhosa de Salvador Dal풒), de Ian Gibson, lançado pela editora Faber and Faber e que ainda não ganhou sua versão em português.
Entre as principais obras em exposição no Masp destacam-se as 13 peças da coleção Morse (9 telas e quatro desenhos), do Museu Salvador Dalí de São Petersburgo, na Flórida, que saem pela primeira vez dos Estados Unidos. O famoso ‘‘Le Spectre de Vremeer de Delft Pouvant Être Utilisé Comme Table’’, de 1934, está entre elas. Outros destaques são a primeira versão de ‘‘Madona de Port Lligat’’, óleo sobre tela de 1949, uma das obras mais reproduzidas do mundo, e ‘‘Minha Mulher Olhando Nua, Olhando o Próprio Corpo se Transformar em Três Vértebras de Uma Coluna, Céu e Arquitetura’’, de 1945.
ReproduçãoO mestre do surrealismo deixou sua marca em gravuras, cenários, pinturas, desenhos e esculturasO painel cenográfico ‘‘Bacanal’’, feito em 1939 para a apresentação do Metropolitan, em Nova York, da Companhia do Balé Russo de Monte Carlo - em que Dalí fez o roteiro - está sendo mostrado pela primeira vez numa exposição. A escultura ‘‘Rinoceronte’’, de uma coleção particular, de 240 cm x 220 cm x 410 cm, incluindo a base, e peso de 3,5 toneladas, também faz parte da mostra.
Dalí ficou fascinado pelo quadro ‘‘A Rendeira’’, de Vermeer, e iniciou o que chamou de ‘‘Estudo Paranóico dos Chifres de Vermeer’’. A curadoria geral da mostra é do francês Robert Descharnes, que foi amigo, conselheiro e secretário do artista nascido em Figueiras, região da Catalunha. Escritor, cineasta e fotógrafo, Descharnes publicou vários livros de arte. Ao conhecer Dalí, tornou-se seu biógrafo e fotógrafo de suas obras. Possui os direitos de reprodução e uso da imagem do artista até 2004.

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