O gene da experimentação
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Em recente passagem por Londrina durante o Festival Demo Sul, o músico e arranjador Paulo Barnabé andou por algumas ruas da cidade de onde mudou-se em 1973, reencontrou antigos conhecidos e se apresentou com sua atual formação da Patife Band, projeto musical criado por ele em 1984. Considerado um dos expoentes da Vanguarda Paulista, o projeto mistura técnicas de composições eruditas contemporâneas a influências de hard rock e, ao mesmo tempo, música experimental com diferentes métricas e forte tendência atonal.
"A Patife Band começou em 84. A primeira formação era de integrantes das bandas nas quais eu tocava com o Arrigo Barnabé", lembra Paulo, citando o irmão. Em 1985, houve o lançamento do álbum de estreia, um mini-LP homônimo lançado pelo selo Lira Paulistana. Porém, foi dois anos depois, em 1987, com o lançamento do álbum "Corredor Polonês" que Paulo Barnabé ganhou os holofotes com clássicos "Tô Tenso", "Teu Bem", e "Vida de Operário", composições gravadas por várias bandas. O trabalho também saiu em CD pela WEA numa tiragem pequena em 2002.
De uma irreverência marcante que mantém nos palcos até hoje, Paulo Barnabé garante que foi em Londrina que adquiriu sua formação em música. "A gente (Mário Lucio Cortes, Arrigo, Antonio Carlos Tonelli, Arrigo Barnabé) fazia muita experimentação, um som aleatório. Esse som que o pessoal faz hoje, desconexo, da música erudita eletroacústica, contemporânea, que era uma tendência depois do rompimento com a música clássica, já fazíamos lá no final da década de 70, antes mesmo da Boca do Bode. Londrina foi a base de tudo e muito importante. Mas se não houvesse esse pessoal, talvez a vivência não teria acontecido."
Com várias formações, pausas na trajetória e, apesar de continuar produzindo, desde o primeiro álbum, a Patife Band não lançou mais nada depois de um CD gravado ao vivo em Londrina, em 2003. "Cheguei a um ponto que, para mim, o mais importante é produzir. Não estou preocupado mais com esse negócio de lançar um álbum. Só vou fazer shows e tocar. Vou ficar no palco e quem quiser que grave", diz, em tom de brincadeira.
Para alívio dos fãs, ele conta que aderiu às novas tecnologias de streaming e já começou a "jogar" alguma coisa. "Normalmente eu componho devagar, quase um ano para fazer uma música. É difícil fazer uma coisa rápida. Rápida, para mim, é no mínimo quatro meses. Eu tenho um piano, um violão, onde fico compondo e escrevendo, como eu sempre fiz, do jeito antigo. Não uso nem computador ou programa de música. Mas estou com uma gravadora digital que deve começar a lançar nessas plataformas em breve."


